Debate com Mario Draghi sobre banca e governação

Os problemas dos bancos e a melhor forma de os resolver foi o tema dominante da discussão desta quinta-feira com Mario Draghi, na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários. Draghi, falando na qualidade de Presidente do Comité Europeu do Risco Sistémico (CERS), salientou a necessidade imperativa de um sistema de resolução de crises bancárias, e admitiu que os governos deveriam ter seguido o apelo do Parlamento Europeu, para a criação de um instrumento deste género em 2010.


Na apresentação do primeiro relatório anual do CERS. Mario Draghi afirmou aos membros da Comissão que os atuais níveis de risco na União Europeia (UE) são inferiores aos de novembro de 2011, acrescentando que os dois principais objetivos agora são limitar o contágio e promover a competitividade. Draghi acrescentou que o CERS está a prestar especial atenção ao setor bancário e à banca-sombra e ainda que a legislação financeira da UE precisava de refletir melhor as preocupações dos supervisores.


O problema bancário


Vários eurodeputados fizeram perguntas sobre este assunto. Wolf Klinz (ALDE, Alemanha) questionou sobre se o passo seguinte seria avançar com um sindicato bancário. Draghi concordou, dizendo, contudo, que essa realidade seria possível apenas para a zona euro.


Sven Giegold (Verdes, Alemanha) quis saber se todo o processo de recapitalização do banco Bankia, de Espanha, não tinha sido um fracasso desde o início. Mario Draghi admitiu que fazer estimativas muito conservadoras do custo da recapitalização e depois ter que as corrigir para cima "foi provavelmente a pior maneira de fazer as coisas. A decisão certa foi tomada, mas ao preço mais elevado."


Draghi tranquilizou ainda os eurodeputados, ao sublinhar que o Banco Central Europeu (BCE) iria manter linhas de liquidez abertas a todos os bancos sem problemas de insolvência, salientando também que já foram retomados os empréstimos a quatro bancos gregos, após a sua recapitalização.


Governação mais vasta e o papel do BCE


Os eurodeputados quiseram também saber a opinião de Mario Draghi sobre a governação económica e um possível novo papel novo para o BCE como uma forma de sair da crise.


Pablo Zalba Bidegain (PPE, Espanha) destacou o contraste entre o alto preço que a Espanha está a pagar pela sua dívida e os esforços ousados do governo para conter o défice. "Não estarão os mercados a punir a falta de atuação geral para proteger a zona euro, incluindo a ação limitada do BCE?", questionou.


Elisa Ferreira (SD) disse que a dívida bancária era agora um risco central para as economias e situações fiscais dos Estados-membros. "Como é que vamos reformar os mecanismos para lidar com essa dívida e qual o papel do BCE nesta questão?", perguntou.


Draghi insistiu que o BCE não pode substituir os governos dos Estados-Membros ou compensar a falta de governação da zona euro. "O que os líderes precisam é de arranjar uma ideia acerca de como veem o Euro daqui a uns anos. A tempestade permanecerá connosco para agora, mas está na hora de remover a névoa que esconde o nosso destino final. Este será a melhor contribuição para baixar os juros da dívida."


Mario Draghi concluiu que o BCE vai continuar a trabalhar para ajudar os bancos a resolver a dívida e a lidar com seus problemas, ressalvando, no entanto, que está fora do alcance do Banco Central Europeu resolver a falta de capital e o clima de aversão ao risco que se vive atualmente.


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