Palácio Nacional da Pena: Gabinete da Rainha D. Amélia recuperado

- Recuperação celebra o 150º aniversário da Rainha D. Amélia
- Reconstituição de acordo com três épocas da história do Palácio
- Restaurados mobiliário e peças decorativas expostas

Sintra, 5 de janeiro de 2016 – A Parques de Sintra terminou a recuperação do Gabinete da Rainha D. Amélia, no Palácio Nacional da Pena, em dezembro, com um investimento de cerca de 35.000 euros, repartido por 4 anos. A recuperação está finalizada após um profundo trabalho de estudo, restauro e reorganização com vista à reconstituição possível dos interiores de acordo com a vivência do Palácio, com enfoque para o período de D. Fernando II, de forma a obter um equilíbrio entre os objetos e o contexto arquitetónico. O mobiliário e as peças decorativas expostas no local foram restaurados, assim como a pintura mural. O pavimento do espaço foi alvo de uma limpeza profunda, procedendo-se ainda à sua estabilização. Também as coberturas e os pavimentos foram reparados e foi renovada a instalação elétrica.
 
A reorganização do gabinete pretende ser uma síntese de três épocas determinantes para o Palácio Nacional da Pena: o período de habitação de D. Fernando II e da Condessa d’Edla, entre cerca de 1860 até 1890; o período de 1890 a 1910, que correspondeu à ocupação destes aposentos pela rainha D. Amélia; e por fim, o período da Primeira República, justificada pela pintura mural deste compartimento, datada de 1917.
 
A forma e dimensão do antigo Gabinete da Rainha D. Amélia resultam da adaptação do antigo convento manuelino de 1511, efetuada pelo rei D. Fernando II, a partir de 1839. O piso em questão apresentava 14 celas, conforme a planta publicada por José Teixeira em 1986. Aquando da transformação, a sala foi remodelada e dividida em tramos de abóbadas fingidas com nervuras, simulando uma construção em pedra, mas sendo efetivamente construída em estrutura de madeira rebocada.
 
A conceção da organização do interior do Gabinete da Rainha D. Amélia apresentou alguns desafios, relacionados com a necessidade de conjugação dos três períodos diferentes e com a ausência de algumas peças.
 
Por um lado, desconhece-se o paradeiro do mobiliário original que foi retirado após a morte de D. Fernando II. Por outro lado, o mobiliário do tempo da monarquia não se conjugava com a pintura mural, criada apenas em 1917. Assim, foi desenvolvido um projeto de interiores que conjuga opções de reintrodução de objetos históricos no compartimento, assim como de outros em substituição dos originais, ausentes.
 
Da reorganização do gabinete, destaca-se a recuperação da secretária com alçado da rainha, assim como as estantes de pau-santo e um contador hispano-árabe do século XIX que foi transferido para o Palácio Nacional de Sintra em 1939, e que regressa agora ao local original. O estirador da rainha, que não se encontrava neste local, mas que demonstra a atividade artística de D. Amélia, completa o conjunto.
 
A Condessa d’Edla é também personagem fundamental na história deste espaço e surge representada por diversos elementos que foram mantidos no gabinete pela rainha D. Amélia: uma mesa de torneados abertos e duas colunas torsas e a sua coleção de porcelana de Meissen.
 
Um dos dois armários entalhados que a Condessa d’Edla tinha nesta sala, recentemente adquirido, encontra-se agora em exposição, embora mais tarde, no tempo da rainha D. Amélia, não pertencesse a este espaço.
 
A representação do período da República está aqui, sobretudo, patente na pintura mural de Eugénio Cotrim, de 1917. Sabe-se que o presidente Sidónio Pais investiu no Palácio Nacional da Pena, que utilizou para promoção turística do país e com fins sociais, festejando ali o Dia da Criança.
 
A referida pintura mural foi alvo de uma intervenção de recuperação para a estabilização das superfícies, limpeza profunda dos resíduos de cola - utilizados numa outra intervenção de recobrimento das paredes com tecido -, preenchimento de fissuras e lacunas e ainda a reposição do esquema decorativo, ausente numa área significativa do teto.
 
Os trabalhos em causa não implicaram, em nenhum momento, a interrupção dos percursos de visita, de acordo com a política habitual de “ Aberto para Obras ” da Parques de Sintra, em que é permitido aos visitantes acompanharem o progresso das intervenções.
 
Funções do Gabinete da Rainha D. Amélia
 
O compartimento serviu diversas funções ao longo do período de ocupação doméstica do Palácio Nacional da Pena. Numa fatura da Casa Barbosa e Costa, de 1866, referente a aquisições de D. Fernando II, o gabinete aparece denominado como “Sala da Música”, enquanto que no inventário orfanológico de D. Fernando II (inventário dos bens que constituíam a herança do monarca, por altura do seu falecimento), elaborado 20 anos depois, lê-se a designação “Sala da Senhora Condessa”. A partir de 1890 as funções da sala alteram-se e passa a designar-se “Gabinete de Trabalho da Rainha Senhora D. Amélia”, designação que se manteve até meados da década de 1980, altura em que o compartimento ficou conhecido como “Sala de Estar da Família Real”, por vezes também informalmente denominado de “Sala Íntima”.
 
Além das diversas funções, o agora chamado de Gabinete da Rainha, foi também alvo de diversas configurações. Uma fotografia antiga de Carlos Relvas mostra-o com um revestimento de tecido, cobrindo paredes, abóbadas, nervuras, o fogão de sala e inclusivamente alguns móveis de assento. A fotografia de uma publicação de 1905 mostra-o como sala de estudo e desenho, com as paredes revestidas com tecido ou papel de padrões. Os objetos expostos – pratos, armas e até a secretária de D. Amélia – permitem reconhecer o gabinete da última rainha de Portugal, de acordo com os inventários de 1897, 1907 e 1910. A pintura mural atual foi efetuada em 1917 por Eugénio Cotrim, conforme a assinatura em cima à esquerda, na parede norte junto à porta de entrada. Desconhece-se o contexto da execução desta pintura mural, já em plena República e numa altura em que o Palácio já estava aberto ao público.
 
Segundo o Diretor do Palácio Nacional da Pena, Arquiteto António Nunes Pereira, “o Gabinete da Rainha D. Amélia apresenta-se assim como um testemunho das diferentes gerações que no Palácio deixaram a sua herança, mantendo, no entanto, como figura tutelar a rainha D. Amélia, cujo 150º aniversário se celebrou em 2015 e que ficou assinalado com esta recuperação”.

Sobre a Parques de Sintra - Monte da Lua
 
A Parques de Sintra - Monte da Lua, S.A. (PSML) é uma empresa de capitais exclusivamente públicos, criada em 2000, no seguimento da classificação pela UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade. Não recorre ao Orçamento do Estado, pelo que a recuperação e manutenção do património que gere são asseguradas pelas receitas de bilheteiras, lojas, cafetarias e aluguer de espaços para eventos.
Em 2014, as áreas sob gestão da PSML (Parque e Palácio Nacional da Pena, Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz, Chalet da Condessa d’Edla, Castelo dos Mouros, Palácio e Jardins de Monserrate, Convento dos Capuchos e Escola Portuguesa de Arte Equestre) receberam aproximadamente 1.928.000 visitas, cerca de 86% das quais por parte de estrangeiros. Recebeu, em 2013, 2014 e 2015, o World Travel Award para Melhor Empresa em Conservação.
São acionistas da PSML a Direção Geral do Tesouro e Finanças (que representa o Estado), o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o Turismo de Portugal e a Câmara Municipal de Sintra.
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