Povoamento de barragens em Sintra protege espécies de peixes em perigo

- Bogas-Portuguesas (Criticamente em Perigo) e Escalos do Sul (Em Perigo)
- Espécies colocadas a salvo nas barragens de Monserrate
- Dattallogers submersos medem temperatura e luz de 4 em 4 horas
- Esvaziamento parcial das barragens para análise das populações
- Monitorização regular da qualidade da água

A Parques de Sintra, com o apoio científico do ISPA - Instituto Universitário de Ciências Psicológicas e o apoio técnico do Parque Natural Sintra Cascais, tem em curso um projeto de povoamento das barragens da Tapada de Monserrate com espécies autóctones (Bogas-Portuguesas e Escalos do Sul, espécies ameaçadas). Este projeto tem o objetivo de aproveitar o habitat favorável que as barragens oferecem e potenciar a reprodução destas espécies, contribuindo para a sua conservação.

Em março, as barragens da Tapada de Monserrate foram povoadas com Bogas-Portuguesas (Iberochondrostoma lusitanica) e Escalos do Sul (Squalius pyrenaicus), espécies que sempre existiram na bacia hidrográfica de Colares.

O projeto, intitulado “Povoamento das barragens da Tapada de Monserrate com espécies ictiofaunísticas indígenas de estatuto de conservação relevante”, surgiu no seguimento da erradicação de espécies exóticas infestantes (achigãs, lagostins e carpas) das barragens, no final de 2012.

Este é um projeto inovador na medida em que, embora a reprodução dos peixes ocorra no mesmo rio, implica cuidados adicionais, podendo por essa razão ser considerada ex-situ (conservação fora do lugar de origem, em condições controladas).

As bogas foram pescadas pela Parques de Sintra na Ribeira de Colares e mantidas em quarentena durante 15 dias, devidamente acondicionadas. Os escalos foram cedidos pelo ISPA, resultando do programa de reprodução ex-situ que a instituição mantém no Aquário Vasco da Gama.

Antes da transferência para as barragens de Monserrate, todos os peixes foram medidos para registar o tamanho de forma a poder determinar o crescimento de cada indivíduo. Foram também colocadas nas barragens caixas de madeira para reter seixos, servindo de local de desova para os Escalos do Sul; e caixas de rede no corpo de água, para proteger os juvenis, evitando a competição por alimento e a predação (funcionando como maternidades).

Atualmente está a decorrer a realização regular de observações de comportamento dos peixes (nomeadamente do estado de maturação e do comportamento visível nas barragens), monitorização fundamental para determinar a época de reprodução em Monserrate, mortalidade e respetivas causas, por um aluno finalista do ISPA (integrado no protocolo da Universidade com a Parques de Sintra).

No futuro, continuarão a ser efetuadas análises regulares à qualidade da água, bem como monitorizadas as condições das barragens (através da colocação de dattaloggers submersos que medem, de 4 em 4 horas, a temperatura da água e a intensidade da luz).

Será igualmente feita, anualmente, e em simultâneo com o esvaziamento parcial das barragens, uma monitorização para verificar o estado das populações. Durante estas limpezas os peixes que forem capturados, serão avaliados (medições, peso, condição física e de maturação sexual gerais) e mantidos em recipientes com aeração constante.

A Boga-Portuguesa (I. lusitanica) é uma espécie endémica das bacias hidrográficas do Tejo e do Sado, que surge nas bacias de Colares, de Cheleiros e da Samarra. Tem estatuto de conservação desfavorável, estando classificada no Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses como “Criticamente em Perigo”.

O Escalo do Sul (S. pyrenaicus) é um endemismo da Península Ibérica que, em Portugal, ocorre nas bacias do Tejo, Sado e Guadiana, nomeadamente, na Região Oeste, nas bacias hidrográficas de Colares, Samarra e Lizandro. É considerada uma espécie “Em Perigo” no território nacional e “Vulnerável” em Espanha.

Sobre a Parques de Sintra - Monte da Lua

A Parques de Sintra - Monte da Lua, S.A. (PSML) é uma empresa de capitais exclusivamente públicos, criada em 2000, no seguimento da classificação pela UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade. A sua criação teve como objetivo reunir as instituições com responsabilidade na salvaguarda e valorização da Paisagem Cultural de Sintra, e o Estado Português entregou-lhe a gestão das suas principais propriedades na zona. Não recorre ao Orçamento do Estado, pelo que a recuperação e manutenção do património que gere são asseguradas pelas receitas de bilheteiras, lojas, cafetarias e aluguer de espaços para eventos.

Em 2013, os valores naturais e culturais que a PSML gere (Parque e Palácio da Pena, Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz, Chalet da Condessa d’Edla, Castelo dos Mouros, Palácio e Jardins de Monserrate, Convento dos Capuchos e Escola Portuguesa de Arte Equestre) receberam aproximadamente 1.700.000 visitas, mais de 90% das quais por parte de estrangeiros.

São acionistas da PSML o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, a Direção Geral do Tesouro e Finanças (que representa o Estado), o Turismo de Portugal e a Câmara Municipal de Sintra.

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