Recuperação da Sala de Estar Indiana do Palácio de Monserrate

- Último grande espaço do Palácio a ser recuperado
- Intervenção inserida no projeto global de restauro
- Investimento de cerca de 35.000 Euros
- Trabalhos terminam em maio
 
Sintra, 26 de fevereiro de 2015 – A Parques de Sintra encontra-se a desenvolver, desde o início do mês, a intervenção de recuperação e revalorização da Sala de Estar Indiana, no Palácio de Monserrate, que se prevê terminar em maio. Esta intervenção, com um investimento de 35.000 Euros, insere-se no projeto global de restauro do Palácio de Monserrate, sendo este o último grande espaço do percurso de visita que ainda não tinha sofrido intervenções profundas.
 
O projeto visa reconstituir e estabilizar todos os materiais presentes no espaço, permitindo a devolução da sua unidade estética. A intervenção incluirá todas as estruturas integradas, nomeadamente a reconstituição do teto, no qual painéis de estuque são aplicados sobre reboco suportado por pequenas fasquias de madeira pregadas às vigas, a consolidação e tratamento integral da parte do teto ainda existente, os revestimentos parietais com os seus frisos dourados e os rodapés em estuque polido.
 
A Sala de Estar Indiana tem problemas semelhantes aos verificados nos restantes espaços já intervencionados, como a sobreposição de camadas de tinta (aplicadas com o intuito de renovar ambientes ou tão-somente por questões de manutenção da integridade dos revestimentos) ou as degradações provenientes dos sucessivos anos sem manutenção. Acresce ainda uma intervenção de reconstituição anterior em parte do teto, provavelmente na sequência de alterações efetuadas no piso superior, na qual não foram utilizados materiais tradicionais, nem se atendeu ao ritmo da composição decorativa.
 
As observações feitas até ao momento indiciam que não existe uma métrica repetitiva que permita a execução de um molde de dimensões razoáveis para a reprodução, pelo que se recorrerá ao teto da Sala de Bilhar, que é de composição simétrica a este, para completar a tarefa.
Quanto ao aspeto estético final da superfície, serão removidas as várias camadas de tinta, após encontrado o método menos danoso para a camada original. Estas foram aplicadas com espessura e técnica que conferiu às superfícies uma textura de difícil compreensão dos revestimentos e, simultaneamente, ocultam o relevo dos motivos, além das cores dos fundos da composição original.
 
Sondagens preliminares evidenciam a presença de cor de rosa escuro nas paredes lisas e de rosa claro no fundo dos motivos em relevo, mas estas definições são indicativas. Apenas se pode definir o programa com exatidão após a remoção completa das áreas correspondentes ou, pelo menos, a realização de sondagens sistemáticas, repetidas para cada motivo decorativo, pois poderá haver áreas com alteração de cor. A definição final das cores a utilizar, quando necessária a reaplicação de camada de tinta ou no caso de reintegrações, terá de ter em conta o equilíbrio com as áreas originais.
 
Os frisos e apontamentos de alguns elementos revestidos a folha metálica foram cobertos com novas tintas de cor, ou até tintas de imitação de folha metálica, em intervenções anteriores. Após a remoção de todas as tintas (imitação) que se encontram a cobrir as zonas onde existia folha metálica, deverá proceder-se à sua reposição, integral ou parcial, consoante o que ficar a descoberto após a limpeza.
A moldura em madeira dourada do espelho, a lareira em mármore e o pavimento em madeira serão igualmente alvo de tratamento.
 
A Sala de Estar Indiana, também designada por Sala de Desenho, tem uma decoração de estuques idêntica à Sala de Bilhar. Destacam-se o florão central do teto e os dois potes (de fabrico português) da coleção de cerâmica de Sir Francis Cook.
Fotografias da época permitem perceber que este espaço apresentava mobiliário de diversos estilos e origens, dos quais sobressaíam os dois sofás de madeira da Índia e os dois armários-vitrinas. Nas paredes surgiam panos de caxemira da Índia, tecidos com seda e um grande espelho com moldura de cristal de Veneza. Também aqui se encontravam muitas porcelanas orientais com relevo para duas grandes talhas da China.
 
- fim -
 
Sobre a Parques de Sintra - Monte da Lua
 
A Parques de Sintra - Monte da Lua, S.A. (PSML) é uma empresa de capitais exclusivamente públicos, criada em 2000, no seguimento da classificação pela UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade. Não recorre ao Orçamento do Estado, pelo que a recuperação e manutenção do património que gere são asseguradas pelas receitas de bilheteiras, lojas, cafetarias e aluguer de espaços para eventos.
Em 2014, as áreas sob gestão da PSML (Parque e Palácio Nacional da Pena, Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz, Chalet da Condessa d’Edla, Castelo dos Mouros, Palácio e Jardins de Monserrate, Convento dos Capuchos e Escola Portuguesa de Arte Equestre) receberam aproximadamente 1.928.000 visitas, cerca de 86% das quais por parte de estrangeiros. Recebeu, em 2013 e 2014, o World Travel Award para Melhor Empresa em Conservação.
São acionistas da PSML a Direção Geral do Tesouro e Finanças (que representa o Estado), o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o Turismo de Portugal e a Câmara Municipal de Sintra.
www.parquesdesintra.pt ou www.facebook.com/parquesdesintra
 

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Sobre nós

Empresa de capitais exclusivamente públicos criada em 2000 (decreto-lei nº 215/2000, de 2 de Setembro), na sequência da classificação pela UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade e dos compromissos assumidos com a sua recuperação, conservação e divulgação.

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