Fundação Siemens apoia desenvolvimento de projeto de ONG para fornecimento de óculos a um dólar

  • Os “OneDollarGlasses” já estão a ser utilizados por populações carenciadas no Burkina Faso, Ruanda e Bolívia
  • Armação é feita à mão e não necessita de luz elétrica
  • Negócio é autossustentável, porque a venda de óculos permite comprar material novo e, mesmo assim, ter rendimento
  • Projeto de professor alemão permite a integração da invenção em ­modelos empresariais, proporcionando novas fontes de rendimento à população local
 
E se as populações dos países carenciados de África, América Latina ou mesmo da Europa pudessem ter acesso a óculos ao preço de apenas um dólar? Essa solução é “OneDollarGlasses”. Óculos que são fabricados a partir de materiais cujo valor equivale a aproximadamente um dólar, e que oculistas especialmente formados conseguem produzir de forma fácil e rápida nos países onde fazem falta sem recurso a energia elétrica, uma vez que a armação é feita à mão, utilizando uma máquina de dobragem de design especial, constituída por aço-mola flexível e robusto. As lentes de policarbonato de vidro, prefabricadas e inquebráveis, são facilmente encaixadas na armação.
 
Esta invenção, de Martin Aufmuth, professor de liceu em Erlangen, na Alemanha, foi distinguida no final de 2013 com o "empowering people. Award"­ da Fundação Siemens. Um premio cujo objetivo é promover ­soluções de engenharia que sejam simples, mas de profundo impacto na qualidade de vida das populações, nomeadamente dos países em desenvolvimento.
 
O projeto “OneDollarGlasses” cumpre não só esse requisito como também permite a integração da invenção em ­modelos empresariais, proporcionando novas fontes de rendimento à população local. Para o efeito, os oculistas nos países de destino recebem formação local para montar, ajustar e distribuir os óculos. A formação está a cargo da EinDollarBrille e.V., uma associação de voluntários da Alemanha e outras organizações sem fins lucrativos. Depois da formação, os oculistas vão às aldeias com o seu stock de lentes e armações e, no local, oculistas locais ou oftalmologistas realizam testes de visão, sendo os óculos ajustados ao utente sem necessidade de ferramentas adicionais. Até agora, o projeto já foi implementado no Burkina Faso, Ruanda e Bolívia através da formação de oculistas nestes três países de África e da América Latina.
 
O negócio é autossustentável, porque a venda de óculos permite comprar material novo e, mesmo assim, ter rendimento. Para assegurar o preço baixo, as lentes são simétricas em torno de um eixo vertical o que permite que a mesma lente seja encaixada tanto no lado direito como no lado esquerdo da armação para todo o conjunto de lentes. Portanto, nunca é fabricada e polida mais do que um formato de lente standard.
 
A venda de ­lentes corretivas de baixo custo iniciou-se em 2012 através de projetos-piloto. Até hoje, o número de vendas dos óculos ainda só atingiu algumas centenas, mas já foram formados localmente mais de 30 oculistas de OneDollarGlasses , de modo que de dia para dia cresce o número de pessoas que recebem óculos que conseguem pagar. Para garantir o rendimento dos fabricantes e vendedores locais, os óculos são vendidos, em cada país, ­­por um montante que equivale a ­2-3 jornas.


A Fundação Siemens e o "empowering people. Award"

De entre os mais de 800 projetos apresentados, um júri internacional com membros do mundo empresarial, da ciência e do desenvolvimento e cooperação atribuiu o prémio principal ao projeto “OneDollarGlasses”. O prémio – “empowering people. Award" – no valor de 50.000 euros ajudará Auf-muth a continuar a desenvolver a sua invenção uma vez que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 150 milhões de pessoas no mundo com problemas de visão que são responsáveis pela perda de aproximadamente 120 mil milhões dólares de receitas por ano.
Com o "empowering people. Award" a Fundação Siemens procura identificar abordagens técnicas e empresariais que resolvem problemas e promover a ampla utilização de tais soluções para melhorar a qualidade de vida das populações. Desde que foi fundada em 2008, a Fundação Siemens tem apoia-do projetos locais e internacionais em colaboração com parceiros de todo o mundo com o objetivo de dar às pessoas oportunidades para participar social e economicamente nas suas comunidades. A Fundação participa no fortalecimento da cultura local, promovendo a educação, expandindo serviços básicos e encorajando o empreendedorismo social. Juntamente com os seus parceiros nos EUA, Colômbia, França, Brasil e Argentina, coopera e apoia projetos que sejam responsáveis e inovadores. As regiões-alvo para os seus projetos são a África, a América Latina e a Europa.

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