Visita a uma vila fantasma e aprender Barranquenho no Parque de Noudar

Barrancos abre as suas portas, a 2 e 3 de Junho, para receber, pela primeira vez, o festival clássico do Alentejo. Em palco, um dos mais destacados agrupamentos portugueses de música antiga – o Ludovice Ensemble, que  propõe uma viagem, ao longo de vários séculos, até às míticas fronteiras do Oriente. Este surpreendente programa artístico, jamais ouvido entre nós, é complementado por visitas ao território de Noudar.

No palco do cineteatro, no sábado, 2 de Junho, às 21h30, o agrupamento português de música antiga o Ludovice Ensemble, que tem triunfado em grandes festivais e teatros do mundo sob a direcção de Fernando Miguel Jalôto, mergulha em pleno nos repertórios dos sécs. XVI-XVIII para apresentar, em Barrancos, uma perspectiva da antiga música húngara, desde os seus registos mais antigos, até aos grandes mestres de Setecentos, como o príncipe Pál Esterházy. Este tributo artístico à Hungria, o país convidado do Terras sem Sombra no presente ano, é completado por uma panorâmica da música europeia nesse tempo, com obras de grandes compositores contemporâneos – Rameau, Marais, Haydn, Fux, Telemann – em que transparecem as influências húngaras, sob vestes egípcias, persas ou turcas.

Entre Ardila e Múrtega: a antiga vila de Noudar

No intuito de atrair novos moradores à localidade de Noudar, o rei D. Dinis, em 1305, fê-la couto de homiziados – o primeiro do país. A vila cresceria à sombra de um extenso recinto amuralhado, em que domina a emblemática torre de menagem, rodeada pelo alcácer, tendo perto a igreja matriz de Santa Maria de Entre-Ambas-as-Águas. Contudo, o problema demográfico nunca foi resolvido e acabou por ditar o abandono de Noudar.
Hoje, dominando uma paisagem de extraordinária beleza, a vila-fantasma de Noudar é um local silencioso, onde já não vive ninguém, mas os seus muros contam muitas histórias. A tarde do dia 2 de Junho, a partir das 15h00, vai ser dedicada ao seu passado e presente visando a redescoberta do castelo de Noudar, sentinela no coração da Andaluzia, e da povoação (outrora, sede de concelho) existente dentro dos seus muros, abandonada no séc. XIX. O guia é um grande conhecedor dos mistérios desta velha localidade, o arqueólogo Miguel Rego.

A Herdade da Coitadinha e o Parque de Natureza de Noudar 

O Parque de Natureza de Noudar localiza-se na Herdade da Coitadinha, entre os cursos dos rios Ardila e Múrtega, que correm no meio de cumes e colinas. Montado, pastagens, olival tradicional e pastoreio (ou não estivéssemos no reino do porco preto) são traços comuns às herdades da região. Na Coitadinha, porém, um relevo mais abrupto e mais rochoso protege enclaves de vegetação em que subsistem azinhais e bosques densos, onde a luz penetra com dificuldade. Redutos únicos numa paisagem muito alterada, em outros séculos, pelo homem, têm agora como protagonista a vida selvagem, o que os torna um notável santuário da biodiversidade.
Pelas 10 horas de Domingo, dia 3 de Junho, sob a orientação de Diogo Nascimento, Nuno Santos e José Pedro Salema (engenheiros florestais), João Xavier Matos (geólogo) e José Perdigão (técnico de arqueologia) vamos descobrir este património natural único e colaborar na sua identificação e defesa e ainda haverá tempo para conhecer um pouco da identidade e da língua barranquenhas.

Estas actividades, organizadas pela Pedra Angular, em parceria com o Município de Barrancos e a EDIA, são todas de acesso livre. Trata-se de uma ocasião única para perscrutar uma das regiões mais belas e singulares do país. 
 

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