É urgente a criação de um plano para lidar com o problema da Polimedicação no idoso em Portugal, conclui estudo europeu

Apesar de ser um grave problema nos idosos , Portugal não tem qualquer política para lidar com a polimedicação (polifarmácia, uso de múltiplos medicamentos) desadequada. É urgente a criação e implementação de um Plano Nacional de Revisão da Polimedicação na população mais velha , conclui o estudo europeu SIMPATHY, que envolveu uma equipa de investigadores das Faculdades de Farmácia e Medicina da Universidade de Coimbra (UC) e do consórcio Ageing@Coimbra - Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável.
 
Desenvolvido, ao longo dos últimos dois anos, por uma equipa multidisciplinar de 10 instituições da Alemanha, Espanha, Grécia, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido e Suécia, o SIMPATHY (Stimulating Innovation Management of Polypharmacy and Adherence in The Elderly) foi coordenado pelo Governo da Escócia e obteve um financiamento de um milhão de euros da União Europeia (UE) através do 3º Programa Europeu de Saúde.
 
O estudo, que contou ainda com a colaboração da Universidade de Lisboa (UL), teve como objetivo estudar o impacto da polimedicação e da adesão à terapêutica na saúde da população mais idosa.
 
A equipa, constituída por cerca de meia centena de especialistas e investigadores, efetuou o levantamento do “estado de arte” do problema e realizou vários estudos de caso nos países parceiros do projeto, concluindo que, no caso de Portugal, « não há qualquer política para lidar com este problema que já assume dimensões preocupantes e que se irá agravar nos próximos anos, considerando que, em 2060, Portugal será o país da União Europeia com o maior decréscimo de natalidade e maior aumento no número de idosos com doenças crónicas », alerta João Malva, coordenador da equipa portuguesa.
 
Com « esta tensão demográfica », salienta o especialista da Faculdade de Medicina da UC, « é urgente encontrar soluções. Caso contrário, o impacto na sociedade e no Sistema Nacional de Saúde será crítico. Não podemos esquecer que as patologias crónicas associadas ao envelhecimento são múltiplas, potenciando a polifarmácia e aumentando o risco para os idosos. Além disso, acarretam elevados custos económicos e sofrimento às famílias ».
 
O investigador nota que « cerca de 40% das pessoas que toma 5 ou mais medicamentos, não o faz de forma apropriada, e cerca de 50 % das hospitalizações que acontecem devido a medicação excessiva seriam evitáveis se existisse um plano de revisão da polifarmácia ».
 
Questionado sobre a existência de boas práticas no espaço europeu em relação a esta matéria, João Malva afirma que o « Reino Unido, em especial a Escócia e Irlanda do Norte, e a Suécia » são exemplos a seguir.
 
Deste estudo resultou, também, um Manual de Diagnóstico da Situação de Polimedicação no Idoso na Europa , onde são indicadas seis grandes recomendações para implementação de Programas de Revisão da Polifarmácia em todos os Estados-Membros da UE, entre as quais, o uso de abordagens multidisciplinares nos Sistemas Nacionais de Saúde, encarando o problema de forma holística; a promoção de uma cultura que valorize a segurança e a qualidade na prescrição de medicamentos; e a recolha de dados nacionais que auxiliem a tomada de decisão política.
 
O Manual, dirigido aos profissionais de saúde, especialmente médicos, enfermeiros e farmacêuticos, e aos decisores políticos, tem o editorial assinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), reconhecendo a importância deste trabalho, e está disponível gratuitamente na Página Web do projeto: SIMPATHY.
 
Declarações do coordenador da equipa portuguesa, João Malva: aqui.

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