Método inovador resolve problema da indústria alimentar

Aumentar o prazo de validade (shelf life) do fiambre fatiado após a abertura da embalagem, sem comprometer a qualidade e segurança alimentar , foi o desafio lançado pela Primor Charcutaria-Prima aos investigadores do Colling, grupo do Centro de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), para resolver um dos problemas da indústria alimentar a nível mundial.
 
Este desafio foi o ponto de partida para o desenvolvimento de um revestimento edível (comestível) de alimentos , produzido à base de polímeros e tensioativos naturais, no âmbito de um projeto financiado pelo Programa Comunitário Horizonte 2020 com cerca de seiscentos mil euros.
 
Apoiada na lista de polímeros e tensioativos naturais aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), uma equipa de investigadores, liderada por Filipe Antunes , realizou, ao longo dos últimos dois anos, um conjunto de complexos estudos que permitissem obter um método inovador de revestimento de alimentos seguro , capaz de aumentar a validade dos vários tipos de fiambre fatiado (atualmente, depois de desembalado, o fiambre tem validade de três dias).
 
« Tratou-se de um desafio imenso porque foi necessário estudar um vasto leque de variáveis. Começámos por selecionar os polímeros e tensioativos que reunissem as melhores propriedades para o fim pretendido, realizámos misturas e observámos o comportamento dessas combinações, modificámos algumas propriedades, investigámos as concentrações adequadas para obter um revestimento seguro e eficaz e realizámos sucessivos testes para avaliar a interação dos polímeros e tensioativos com o alimento », descreve Filipe Antunes.
 
Além disso, os investigadores, que reproduziram em laboratório as condições quer dos frigoríficos domésticos quer dos frigoríficos dos supermercados, realizaram vários estudos microbiológicos para assegurar « um revestimento antibacteriano e que evite a desidratação e oxidação deste tipo de alimentos, adiando a sua deterioração », salienta o investigador da FCTUC.
 
O revestimento conseguido pela equipa, impercetível aos olhos do consumidor, cumpre as exigências da FDA e pretende aumentar a conservação do fiambre e de outros produtos cárneos após a abertura da embalagem.
 
Este método inovador que os investigadores pretendem patentear « não só resolve um problema da indústria alimentar como também contribui significativamente para a redução do desperdício alimentar », nota Filipe Antunes.

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