Reinventar moléculas: Investigadores da Universidade de Coimbra geram novas moléculas a partir do tiofenol

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) e do Instituto de Física da Academia das Ciências da Polónia (Varsóvia, Polónia) produziram novos isómeros reativos do tiofenol , um composto simples que contém enxofre (na forma -SH) e que é utilizado em processos de fabricação de polímeros e como reagente no desenvolvimento de fármacos .
 
Este resultado científico, que faz a manchete ( http://dx.doi.org/10.1039/c4cp04125a ) da edição de Fevereiro da Physical Chemistry Chemical Physics (PCCP), a revista da Royal Society of Chemistry, foi obtido em condições criogénicas (a −260 ºC), que permitem observar a génese de espécies extremamente reativas “em camara lenta” e estudar, depois, as suas propriedades .
 
Para gerar os novos isómeros, os investigadores recorreram a um sofisticado equipamento laser, capaz de produzir radiação ultravioleta sintonizável à frequência exigida para iniciar a transformação química do tiofenol nos novos compostos.
 
De uma forma muito genérica, através da exposição do tiofenol a radiação ultravioleta, os investigadores abstraíram hidrogénio da molécula original e produziram « um intermediário – um radical altamente reativo – que pôde depois ser transformado nas novas estruturas moleculares », explica Igor Reva, um dos autores do estudo financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
 
As novas moléculas agora obtidas, descritas como duas formas Tiona (que contêm enxofre na forma C=S) são isoméricas do tiofenol (têm a mesma fórmula química, mas diferente organização dos seus átomos constituintes) e têm uma reatividade distinta da do isómero Tiólico (tiofenol). Ao contrário deste, reagem à exposição à luz visível, « o que abre novas possibilidades para produção de novos materiais, já que os compostos de enxofre são utilizados como catalisadores, por exemplo, na indústria química e farmacêutica. Pela primeira vez, conseguimos produzir e caracterizar estas espécies. Agora é necessário explorar todo o seu potencial de aplicação », conclui o investigador do Departamento de Química da UC.

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