Collection Complexity Score
Num mundo cada vez mais fragmentado, metade dos créditos comerciais globais enfrentam um risco muito elevado ou severo
A Allianz Trade publica a 4.ª edição do seu Collection Complexity Score and Rating, disponibilizando uma avaliação clara de quão fácil – ou difícil – é para as empresas recuperar faturas não pagas em 52 economias, que representam 90% do PIB e do comércio mundial. Segundo o líder mundial em seguros de crédito, a complexidade global de cobrança situa-se num nível “Elevado”, com 47,2 em 100.
Portugal é um dos mercados menos complexos para a recuperação de créditos comerciais
Portugal consolida-se como um dos três melhores países do mundo para cobrar dívidas a nível internacional, partilhando o pódio com a Alemanha e os Países Baixos. Com uma pontuação total de 32, o país apresenta um nível de complexidade “Notável”, beneficiando de pontuações de excelência na eficiência dos pagamentos locais e dos procedimentos judiciais. Contudo, no capítulo das insolvências, o país regista uma pontuação menos positiva, uma vez que estas situações resultam frequentemente na liquidação da empresa, sendo raro os credores comuns recuperarem os montantes em dívida.
Apesar do enquadramento legal favorável, persistem desafios ao nível da liquidez, com as empresas portuguesas a demorarem, em média, 80 dias a liquidar os seus pagamentos. Este prazo médio de recebimento (DSO) é um dos mais elevados na Europa e deve-se, em parte, à falta de apoio bancário, o que leva a que as empresas utilizem o crédito de fornecedores como ferramenta estratégica para gerir o fluxo de caixa. Ao nível da faturação, após a obrigatoriedade nos contratos públicos (B2G), o mercado prepara-se para novas exigências nas transações entre privados (B2B): a partir de 1 de janeiro de 2027, as faturas em PDF exigirão obrigatoriamente uma Assinatura Eletrónica Qualificada (QES) para garantir a conformidade legal.
A complexidade global abranda ligeiramente, mas a cobrança de dívidas continua a ser um grande desafio para as empresas
O Collection Complexity Score contempla quatro níveis: “Notável” (pontuação inferior a 40), “Elevado” (entre 40 e 50), “Muito Elevado” (50 a 60) e “Severo” (acima de 60). A média global é ligeiramente inferior à da edição de 2022 (49/100) e reflete uma distribuição de risco mais concentrada: uma menor proporção de países enquadra-se agora nas categorias “Severo” (15% vs. 16% em 2022) e “Muito Elevado” (21% vs. 29%), enquanto aumentou o peso das categorias “Elevado” (29% vs. 24%) e “Notável” (35% vs. 31%). Ainda assim, com as insolvências empresariais a manterem-se em níveis elevados a nível mundial e a fragmentação global a aprofundar-se, num contexto de padrões de comércio em mutação, protecionismo volátil, tensões geopolíticas e riscos digitais crescentes, a cobrança de dívidas tende a tornar-se cada vez mais complexa para as empresas, sobretudo para os exportadores.
“Estimamos que 48% dos créditos do comércio internacional estejam localizados em países com complexidade de cobrança «Muito Elevada» (22%) ou «Severa» (26%). Em comparação com 2022, trata-se de um aumento limitado (+1 ponto percentual), mas de um crescimento significativo em valor absoluto para 1,1 mil milhões de dólares, estimulado pela expansão do comércio global. Os processos de insolvência continuam a representar a maior parte da complexidade de cobrança em todas as regiões. As práticas locais de pagamento destacam-se como o principal fator de complexidade no Médio Oriente, enquanto as dificuldades associadas aos tribunais são menos frequentes na Europa Ocidental do que no Médio Oriente, África e América Latina. Estes fatores estruturais explicam por que razão a cobrança internacional de dívidas continua a ser um processo difícil a nível mundial”, afirma Fabrice Desnos, membro do Conselho de Administração da Allianz Trade, responsável por Credit Intelligence, Resseguro e Caução.
Arábia Saudita, México e EAU são os mercados mais complexos para recuperação de dívida
Tendo em conta as práticas locais de pagamento, os processos judiciais e os regimes de insolvência, a Allianz Trade conclui que a Alemanha, os Países Baixos e Portugal são os três países onde é mais fácil recuperar dívida internacional, enquanto a Arábia Saudita, o México e os EAU continuam a ser os mais desafiantes.
“A cobrança internacional de dívidas é quase três vezes mais complexa na Arábia Saudita do que na Alemanha… mas esta última não está isenta de desafios em termos de cobrança internacional. Neste contexto, o fosso entre economias avançadas e mercados emergentes tem vindo a reduzir-se gradualmente ao longo do tempo, nomeadamente na Ásia, embora continue a existir. A maioria das economias avançadas apresenta um nível «notável» de complexidade de cobrança. Em média, o Médio Oriente e África são as duas regiões mais complexas”, explica Pascal Personne, Head of Group Claims and Collections da Allianz Trade.
Fazer negócios nos Next Generation Trade Hubs exige seletividade
Num contexto de mudanças estruturais no sistema comercial global, estão a emergir novos polos de comércio, que se tornam elos de novas rotas comerciais e também novos centros de produção. Contudo, apesar da sua atratividade, a recuperação de dívida continua a ser um desafio para os exportadores que operam nesses mercados, somando-se aos riscos-país já existentes.
“Num mundo dividido por tensões geopolíticas, protecionismo e pelos efeitos das alterações climáticas, o comércio global está a traçar novos caminhos. No entanto, os emergentes «Next Generation Trade Hubs», incluindo os EAU, o Vietname e a Malásia, apresentam um nível «Severo» de complexidade de cobrança, com uma pontuação média de 62. Embora estes mercados sejam cada vez mais críticos no contexto atual, isso exige seletividade e uma gestão de crédito rigorosa ao considerar reforçar a atividade nesses destinos”, acrescenta Maxime Lemerle, Lead Analyst for Insolvency Research da Allianz Trade.
[1] O Collection Complexity Score da Allianz Trade é um indicador que mede o nível de complexidade associado aos procedimentos de cobrança internacional de dívidas em cada país, numa escala de 0 (menos complexo) a 100 (mais complexo). A pontuação resulta da combinação da avaliação especializada de 340 peritos de cobrança da Allianz Trade em todo o mundo com mais de 40 indicadores objetivos.
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