Estudo EpiPort revela o peso da epilepsia em Portugal: quase metade dos doentes necessita de três ou mais fármacos para controlar a doença

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Dia Internacional da Epilepsia – 9 de fevereiro

Dado é um forte indicador de elevada farmacorresistência no país e sublinha a urgência de otimizar as abordagens terapêuticas, alertam especialistas.
 
Lisboa, 09 de fevereiro de 2026 - No âmbito do Dia Internacional da Epilepsia, a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE) lança um alerta baseado em novos dados do estudo epidemiológico EpiPort, que revelam a complexidade e o peso da epilepsia em Portugal: quase metade (43,9%) dos doentes medicados necessita da associação de três ou mais fármacos anticrises epiléticas para gerir a sua condição.

Para um doente, este nível de polimedicação traduz-se num pesado fardo diário que vai muito além de tomar múltiplos medicamentos. Como documentado na literatura científica, um elevado número de fármacos está diretamente associado a um aumento de efeitos adversos (como sonolência, tonturas ou dificuldades de concentração)[2], a uma menor adesão à terapêutica e a uma qualidade de vida significativamente reduzida.[3] Este fardo estende-se à sociedade, implicando custos diretos mais elevados para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)[4] e custos indiretos, como a perda de produtividade.4-

“A constatação de que quase metade dos doentes medicados necessita de três ou mais fármacos é, para nós, clínicos, o dado mais revelador do EpiPort sobre a complexidade da doença no nosso país. Isto não é apenas uma estatística sobre prescrições; é um poderoso indicador clínico de que a prevalência da epilepsia farmacorresistente em Portugal pode ser muito superior ao que pensávamos. Estamos a quantificar, a nível nacional, a dimensão do desafio terapêutico”, afirma Nuno Canas, neurologista e presidente da direção nacional da LPCE.
Este cenário contrasta com o objetivo último no tratamento da epilepsia que, de acordo com o consenso da comunidade médica internacional, é alcançar a liberdade de crises com o menor número de fármacos possível, para minimizar os efeitos adversos e melhorar a qualidade de vida.[

É esta lacuna entre a realidade vivida por milhares de doentes e o tratamento ideal que, segundo as conclusões do próprio relatório do EpiPort, reforça a necessidade urgente de programas de Saúde Pública mais eficazes e de uma alocação de recursos adequada para responder a este desafio.1

Nuno Brás, Diretor-geral da Angelini Pharma em Portugal, sublinha o compromisso da companhia: "Estes dados do EpiPort expõem a luta diária que muitos doentes e médicos enfrentam para gerir uma condição tão complexa. O nosso papel é sermos parceiros na procura de soluções que ajudem a aliviar esse peso. Apoiamos a investigação precisamente para trazer à luz estas realidades, garantindo que o objetivo de uma vida com qualidade e livre de crises seja uma realidade para um número cada vez maior de pessoas."
O EpiPort é o primeiro inquérito desta magnitude sobre a epilepsia em Portugal em mais de duas décadas. Conduzido pela LPCE, com a consultoria técnica da IQVIA e o apoio da Angelini Pharma, este estudo epidemiológico envolveu um inquérito porta-a-porta a 10.666 indivíduos em todo o território nacional. A metodologia permitiu não só atualizar a prevalência da doença – que se revelou o dobro das estimativas anteriores – mas também, como agora se divulga, saber mais sobre o percurso terapêutico do doente.1
 
Sobre a LPCE
A Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE) é uma organização técnico-científica dedicada a assegurar que profissionais de saúde, investigadores, pessoas com epilepsia, cuidadores e o público em geral tenham acesso a recursos e ferramentas essenciais para compreender, prevenir, diagnosticar e tratar a epilepsia.
Com a visão de que a vida de ninguém seja limitada por esta condição neurológica, a LPCE atua ativamente na formação, investigação e inovação, divulgação de informação e networking, promovendo a atualização de conhecimentos, a disseminação de boas práticas clínicas e a defesa de melhores cuidados de saúde.
Para mais informações, aceda a https://epilepsia.pt/
 
 
Sobre a Angelini Pharma 
A Angelini  Pharma  é uma empresa farmacêutica internacional, parte do grupo privado e multissetorial Angelini  Industries. A empresa investiga, desenvolve e comercializa soluções de saúde com foco nas áreas de Saúde do Cérebro, incluindo Saúde Mental e Epilepsia, e Saúde do Consumidor. 
Fundada em Itália no início do século XX, a Angelini Pharma opera diretamente em 20 países, empregando mais de 3.000 pessoas. Os seus produtos são comercializados em mais de 70 países através de alianças estratégicas com grupos farmacêuticos internacionais de referência. 
Mais informações em: www.angelinipharma.com.
 


[1] Bentes C, Lopes Lima J, Pereira C, et al. Prevalance of Epilepsy in Portugal: an Epidemiologic Population-Based Study (EPIPORT). Poster presented at the 36º International Epilepsy Congress (IEC), Sep 2025.

[2] Lozano-García A, et al. Epilepsy Behav. 2025;162:110170

[3] Terman SW, et al. Epilepsy Behav 2020;111:107261

[4] Villanueva V, et al. Neurología 2013;28:195-204

[5] Toledano R, et al. J Neurol 2023;270:5945–5957 

[6] Tomson T, et al. Epileptic Disord. 2023;25:649–669. 

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