Género e rendimento moldam atitudes sociais e políticas em Portugal
Nota Complementar ao Relatório ‘Portugal, Balanço Social 2025’
Quem Somos e Como Pensamos?
Desigualdades de Género e Rendimento nas Atitudes Sociais
- A nota complementar ao Relatório ‘Portugal, Balanço Social 2025’ – ‘Quem Somos e Como Pensamos? Desigualdades de Género e Rendimento nas Atitudes Sociais’ – analisa o posicionamento e participação política e cívica dos residentes em Portugal.
- O estudo, desenvolvido pela “Fundação la Caixa”, o BPI e a Nova SBE, evidencia contrastes ligados ao género e ao rendimento nos valores e crenças que condicionam a participação na vida social e política portuguesa.
Carcavelos, 18 de dezembro de 2025 – A Fundação ”la Caixa”, o BPI e a Nova SBE, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, lançam a nota complementar ‘Quem Somos e Como Pensamos? Desigualdades de Género e Rendimento nas Atitudes Sociais’ que integra o relatório anual “Portugal, Balanço Social 2025”, da autoria de Susana Peralta, Bruno P. Carvalho, João Fanha e Miguel Fonseca, do Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center.
Elaborado com base nos microdados do Inquérito Social Europeu e utilizando uma amostra de 1.373 residentes em Portugal, entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, o documento apresenta o posicionamento e a participação política dos residentes em Portugal, explorando os valores que moldam essas atitudes. Especial atenção é dedicada às atitudes perante a imigração e a igualdade de género.
POSICIONAMENTO POLÍTICO
As mulheres e os grupos mais pobres são aqueles que mais frequentemente reportam não ter nenhum interesse pela política em Portugal (35,5% e 45,2%, respetivamente), sendo também quem manifesta maior falta de confiança no sistema político: 40% das mulheres e 50,1% dos mais pobres consideram que o sistema não dá voz às pessoas; quase metade das mulheres e 56,9% dos mais pobres acreditam que as pessoas não conseguem influenciar a política. Estes resultados evidenciam como a perceção de exclusão política e de falta de capacidade participativa é influenciada pelo contexto económico e, em menor grau, pelo género, contribuindo para padrões persistentes de desigualdade na participação democrática, referem os investigadores.
Analisando a posição política, verifica-se que as mulheres tendem a posicionar-se mais à esquerda ou centro-esquerda (37,5% face a 29% nos homens), enquanto os homens se distribuem mais pela direita ou centro-direita (34,9% face a 26,7% das mulheres). O posicionamento ideológico também varia com o rendimento: a identificação com a esquerda ou centro-esquerda é semelhante entre os mais pobres e os mais ricos (37,8), mas entre os mais ricos a identificação com a direita é duas vezes superior à observada nos mais pobres (35,2 vs. 16,3%, respetivamente).
VALORES DA POPULAÇÃO RESIDENTE
O estudo revela diferenças significativas nos valores da população residente em Portugal associadas ao género e ao rendimento.
No âmbito dos valores básicos humanos, as mulheres e as pessoas mais ricas dão muita importância a viver num sítio seguro (68,8% e 72,9%, respetivamente). Em sentido contrário, a crença de que “as pessoas devem fazer o que lhes mandam e cumprir sempre as regras” é mais relevante para os homens (33,3%) e para os mais pobres (31,7%). Adicionalmente, entre os mais ricos, 37,7% acham importante “mostrar as suas capacidades” (+8,1 pontos percentuais que os mais pobres) e 58,1% acham importante “ter sucesso” (+25,4 pontos percentuais que os mais pobres).
No que toca aos valores coletivos os dados revelam níveis geralmente baixos de confiança social em todos os grupos, sendo junto das mulheres e dos mais pobres que estes níveis se revelam especialmente baixos. A autoridade é mais valorizada pelos mais pobres e pelos homens, enquanto o patriotismo é transversalmente valorizado, com proporções acima de 80% em todos os grupos; contudo, o apego emocional à Europa é muito menor entre os mais pobres (48,5% face a 71,7% nos mais ricos).
Analisando a justiça social, os dados revelam que as mulheres e as pessoas com rendimentos mais elevados demonstram uma maior preocupação com os direitos LGBTQIA+ e com as alterações climáticas. É de realçar ainda que mais de 90% das mulheres e das pessoas mais pobres defendem que o governo deve implementar políticas de redistribuição de rendimentos.
Verifica-se que a religiosidade é mais comum entre as mulheres (76,2%) e os mais pobres (72,7%). A grande maioria das pessoas que se identifica como religiosa é católica, predominância que é ainda mais forte entre os mais ricos (98%) do que entre os mais pobres (91,8%). Quanto ao nível de religiosidade, as mulheres reportam ser “muito religiosas” com maior frequência (44,1%) do que homens (33,6%). No eixo socioeconómico não se observam diferenças entre os mais pobres e os mais ricos (37,8% e 37,9%, respetivamente): embora o rendimento influencie a probabilidade de pertença religiosa, não tem impacto relevante na sua intensidade.
POSIÇÃO RELATIVAMENTE A IMIGRAÇÃO
Os dados analisados permitem aferir uma alteração significativa das posições face à imigração entre 2016 e 2023. Durante este período, a perceção de que a imigração tem um impacto económico positivo aumentou tanto nos homens como nas mulheres. A posição dos indivíduos na distribuição do rendimento é determinante para a sua atitude em relação à imigração: 72,9% das pessoas com rendimentos mais elevados consideram que a imigração tem impacto económico positivo, enquanto apenas 40,5% dos mais pobres partilham esta opinião. De um modo geral, a perceção de que a imigração enriquece culturalmente o país diminuiu.
As opiniões sobre o impacto da imigração variam consoante o género e o rendimento, com as mulheres e as pessoas mais pobres a serem identificados como os grupos menos abertos à imigração. A origem étnica dos imigrantes não influencia de forma significativa a perceção.
POSIÇÃO RELATIVAMENTE A IGUALDADE DE GÉNERO
As opiniões sexistas persistem, sobretudo entre os homens e os indivíduos com menores rendimentos, refletindo-se na crença de que as mulheres têm maior capacidade para distinguir entre o bem e o mal e na ideia de que os homens devem proteger as mulheres.
A experiência de discriminação contra as mulheres é mais marcada no contexto laboral (23% face a 11,9% homens), enquanto a experiência de discriminação contra os homens surge mais associada a interações com a polícia (5,5% mulheres e 6,1% homens).
O cuidado informal evidencia fortes desigualdades de género e de rendimento, com as mulheres e os mais pobres a assumirem significativamente mais horas de cuidados intensivos (+40 horas por semana). Apesar destas disparidades, a igualdade de género é amplamente considerada positiva nos domínios familiar, económico, político e empresarial. As políticas de discriminação positiva recolhem igualmente elevado consenso (acima de 60%), sobretudo entre as mulheres e os indivíduos.
Iniciativa para a Equidade Social
A Iniciativa para a Equidade Social é uma parceria entre a Fundação “la Caixa”, o BPI, e a Nova SBE, que visa impulsionar o setor social em Portugal com uma visão de longo prazo. Traçando um retrato do setor social em Portugal e desenvolvendo programas de investigação e capacitação para apoiar organizações sociais, a iniciativa envolve oito projetos e duas cátedras.
Sobre a Fundação ”la Caixa”
A Fundação ”la Caixa” iniciou em 2018 a sua implantação em Portugal, consequência da entrada do BPI no grupo CaixaBank. Em 2025, destina 50 milhões de euros a projetos sociais, de investigação, educativos e de divulgação cultural e científica.
Sobre o Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center
O Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center dedica-se à aplicação de ferramentas fundamentais de economia em questões relevantes do mundo empresarial e políticas públicas. Tem como objetivo produzir avaliações conceptuais e quantitativas relevantes para organizações, empresas e público em geral. O Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center está alicerçado em investigação mundial de topo e no corpo docente da Nova SBE, bem como num conjunto de professores afiliados de instituições de renome. As atividades do centro são desenvolvidas sob a mentoria intelectual de um comité científico de reputação mundial.
Sobre a Nova SBE
A Nova SBE é a mais prestigiada business school em Portugal e uma das principais business schools da Europa. É a faculdade de ciências económicas, financeiras e de gestão da Universidade NOVA de Lisboa. O atual Diretor é o Prof. Pedro Oliveira (PhD, University of North Carolina at Chapel Hill). A Nova SBE é membro do CEMS desde dezembro de 2007 e tem atribuição Triple Crown em todo o mundo, o que implica a acreditação pela EQUIS, AMBA e AACSB. Foi a primeira business school portuguesa a adquirir acreditações internacionais e reconhecimento de renome mundial no ensino superior. A visão internacional da Nova SBE também se reflete na adoção do inglês como o principal idioma de ensino. A grande maioria dos cursos de licenciatura e todos os programas de mestrado, MBA e PhD são lecionados em inglês.
Tags: