"Bandas à quinta" - Começam hoje na Casa da Cultura de Beja

Começam hoje as "Bandas à quinta" na Casa da Cultura de Beja.  Plause e Birds are Indie são as propostas para hoje à noite.

As últimas quintas-feiras do mês contam com concertos promovidos pela Câmara Municipal de Beja e pela Zarcos - Associação de Músicos de Beja.

Em fevereiro, no dia 28, pelas 21h30, é a vez de Filho da Mãe.

Sobre o “Filho da Mãe”

 

Artista: Filho da Mãe

Título: Água-Má

Data de lançamento: 04.05.2018

Nos discos de Filho da Mãe (Rui Carvalho) encontram-se histórias seguras e bem-defi­nidas com realizações claras dos caminhos que resolve percorrer. O modo como afir­ma a sua guitarra e a linguagem que pratica nasce, contudo, de uma estranheza com os locais onde decide gravar. Foi assim desde o começo, com Palácio, disco gravado em casa do seu amigo, e companheiro de ar­mas nos If Lucy Fell, Makoto Yagyu, depois em Cabeça, entre Montemor-O-Novo e o Gerês, ou quando foi para Amares resolver as ideias para Mergulho no Mosteiro de Santo André de Rendufe. Água-Má segue a tradição, num movimento entre Portugal Continental (Lisboa, no estúdio HAUS) e as ilhas madeirenses, onde esteve durante uma semana em residência no primeiro trimestre de 2018.

Água-Má é sinónimo de alforreca e os tentáculos do ser marinho talvez sirvam de analogia para o dedilhar na guitarra de Filho da Mãe, ou a transparência da criatura como uma referência aos jeitos límpidos e lúcidos das composições que aqui apresenta. É um álbum que começa na Praia, uma vertiginosa corrida de alguém que foge com todas as certezas, e termina em Casa, onde larga a guitarra e deixa Água-Má repousar num registo de tranquilidade em modo field recordings, ficando a sensação de caminho percorri­do e dever cumprido.

A distância entre essa Praia e a Casa é o fulgor de Água-Má. Filho da Mãe ficciona lugares e situações narrados por alguém que sabe impor o seu próprio tempo e história. Depois de uma corrida para Praia, cai bem a calma, segurança e brandura de um Não Me Voltes Atrás; as incertezas de Não, Não Danço seguram a galopada de Nem Chuva, Nem Cães. E em cada canção ouve-se a respiração de Rui Carvalho, uma marcação do tempo e da proximidade com que quer que oiçamos as suas canções. É uma partilha do seu espaço íntimo com o do ouvinte, um refrão constante que acompanha as melodias da guitarra e se funde com os sons em redor, ouvidos em alguns temas, e que humanizam a estética singular de Filho da Mãe. Os locais onde Rui Carva­lho grava constroem a história dos seus álbuns e os locais só ficam mais ricos por ouvirem as aventuras que neles viveu com a sua guitarra.

André Santos

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