Município recolhe contributos para candidatura de Setúbal a Capital Portuguesa da Cultura 2028

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Setúbal, 16 de julho (DICI) – A Câmara Municipal de Setúbal deu início esta semana à recolha contributos de agentes, instituições e cidadãos em geral para construir uma candidatura abrangente e participada de Setúbal a Capital Portuguesa da Cultura 2028.
 
O Salão Nobre dos Paços do Concelho acolheu um conjunto de reuniões temáticas, na segunda, terça e quarta-feira, com a participação de dezenas de pessoas que, em representação de instituições e entidades de diversos setores da comunidade setubalenses ou a título individual, partilharam ideias, necessidades e aspirações para o futuro da cultura no concelho.
 
A auscultação pública da candidatura que tem como lema “Setúbal – Mar de Cultura”, e que prossegue online no site oficial do município, é considerada fundamental para um processo que se quer aberto, participado e profundamente ligado à identidade de Setúbal e Azeitão.
 
“Esta candidatura não nasce de um gabinete, nem se escreve sozinha. Nasce das pessoas, das associações, dos artistas, dos técnicos, das juntas de freguesia, das escolas e de quem faz cultura todos os dias em Setúbal, muitas vezes sem grandes meios, mas com um enorme sentido de pertença e de generosidade”, acentuou a vice-presidente do município, Maria do Carmo Tiago, na primeira reunião.
 
A autarca sublinhou que este processo não tem como objetivo apresentar um documento fechado, mas sim “construir um documento com a participação de todos”, auscultando as “ideias, as memórias e os sonhos que têm para a cultura do território” setubalense.
 
“Cada contributo que aqui deixam vai ajudar a dar forma a este projeto coletivo. Uma capital da cultura não se mede apenas pelo título que se conquista, mas pelo processo que lhe antecede e pela marca que deixa nas pessoas.”
 
Com o lema Setúbal, Mar de Cultura, a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028 encara a cultura como “um elemento vivo, sempre em movimento, que se alimenta de muitas correntes e que chega a todos os setores da comunidade”, o que consubstancia a realização destas reuniões com temáticas diferentes.
 
A primeira sessão destinou-se à recolha de contributos para a temática “Cultura, Criação, Património e Equipamentos” e foi dedicada a artistas, companhias, músicos, escritores, artes visuais, cinema, produção, programação cultural, associações e coletividades, historiadores e entidades patrimoniais.
 
Na terça-feira, o tema foi “Território, Paisagem, Sabores, Turismo e Economia Local”, uma vez que a Arrábida e o Sado, a gastronomia e o tecido económico do concelho “são também entendidos como cultura”, numa sessão que contou com a participação de agentes ligados à serra e ao rio, às comunidades marítimas, mercados, gastronomia, produtores, hotelaria, comércio, turismo, empresas, urbanismo e frente ribeirinha.
 
A última sessão, realizada ontem, foi subordinada ao tema “Comunidade, Educação, Juventude, Freguesias e Inclusão”, dado o entendimento de que “uma capital da cultura que não pensa nas escolas, nas juntas de freguesia, nos jovens e em quem vive no território não passa de apenas um documento”, sublinhou a vice-presidente Maria do Carmo Tiago.
 
O vereador Paulo Maia assegurou que, apesar de ser a Câmara Municipal de Setúbal a iniciar o processo, “a candidatura não é do município, é da cidade de Setúbal” e que a autarquia estará sempre disponível para acolher os contributos de todos.
 
“Todas as opiniões são válidas e contribuem para a grandeza do documento que irá ser apresentado. Só conseguiremos ser vencedores se todos remarmos para o mesmo lado.”
 
Cabe ao coordenador e comissário executivo da candidatura, João Abrantes, a tarefa de dar coerência ao processo e de garantir que os contributos prestados estejam representados no documento final.
 
João Abrantes destacou o envolvimento de diferentes setores da comunidade e a mobilização das entidades nas reuniões, das quais saiu “uma grande diversidade de contributos”, os quais vão ajudar a construir a candidatura de Setúbal a Capital Portuguesa da Cultura 2028.
 
“Uma candidatura desta natureza não faz sentido se for construída dentro de um gabinete, distante das comunidades, dos artistas, dos escritores, de todos aqueles que dão vida à cidade cultural, aos bairros e a tudo aquilo que faz viver a cidade no dia a dia”, referiu.
 
O objetivo é “criar um documento abrangente, que inclua as expetativas de todos aqueles que fazem da cultura de Setúbal uma realidade todos os dias, identificando as necessidades, as lacunas e as oportunidades e ouvindo as instituições, as comunidades e os cidadãos para em conjunto se preparar uma candidatura mais representativa”.
 
A ideia é “não pensarmos apenas para 2028, mas sim para o que 2028 pode deixar-nos para o futuro”, com a resposta, ao longo do processo de auscultação pública, a questões como “O que é que torna Setúbal culturalmente singular?”, “Que lugares, que pessoas, que páticas e que memórias devem ser valorizados?”, “O que falta hoje à cultura de Setúbal?”, “Que públicos estão mais afastados da cultura?”, “Que projetos podem nascer desta candidatura?” e “O que é que fica depois de 2028?”.
 
Após esta fase, segue-se um trabalho de registo e de sistematização das ideias e dos contributos acolhidos nesta fase e aqueles que venham a ser apresentados no site do município, para integrarem a candidatura, a qual é entregue até dia 19 de setembro. O anúncio da candidatura vencedora é feito a 9 de dezembro.

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