A dinastia Bach
Ciclo Sexta Maior – Orquestra
Orquestra de Câmara Portuguesa e Julien Chauvin
CCB . 12 de dezembro . sexta-feira . 20h00 . Pequeno Auditório
Programa
Antonio Vivaldi (1678-1741)
Sinfonia em Sol menor, RV 156
Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795)
Sinfonia em Ré menor, HW 1/3
Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788)
Sinfonia em Dó Maior, Wq 182/3
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Concerto para dois violinos em Ré menor, BWV 1043
Georg Philipp Telemann (1681-1767)
Burlesque de Quichotte em Sol Maior, TWV 55:G10
Ficha artística
Violino Maria Reis Sá
Direção musical Julien Chauvin
Orquestra de Câmara Portuguesa
O violinista e maestro francês Julien Chauvin (fundador do agrupamento parisiense Le Concert de la Loge) junta-se, pela primeira vez, à energia da Orquestra de Câmara Portuguesa, para celebrar a música de Telemann, Vivaldi e da família Bach. Reconhecido pelo seu virtuosismo e espontaneidade, Julien Chauvin irá ainda partilhar o palco com a jovem violinista premiada Maria Reis Sá (alumna da Jovem Orquestra Portuguesa), para uma interpretação luminosa do concerto duplo de Bach.
No âmbito deste concerto, terá lugar na Sala Lopes-Graça, às 18h30, no dia 12 de dezembro, a conferência Da Tradição à Herança, por Eugénio Amorim, na Sala Lopes-Graça.
Johann Sebastian Bach (1685–1750) é uma figura central na história da música ocidental. A sua obra não apenas sintetiza séculos de tradição musical, como também projeta uma influência duradoura que atravessa estilos, épocas e fronteiras culturais.
As raízes estilísticas e culturais de Bach remontam provavelmente a uma linhagem familiar profundamente musical, cuja importância na sua formação é inegável. Desde Veit Bach, considerado o patriarca musical da família, os Bach cultivaram um legado artístico notável por gerações. Após a morte dos seus pais, quando tinha cerca de 10 anos, Johann Sebastian foi acolhido pelo seu irmão mais velho, Johann Christoph Bach, organista em Ohrdruf. Foi sob a sua orientação que o jovem Bach recebeu uma formação musical mais aprofundada, especialmente em órgão, cravo e composição, num ambiente que combinava rigor técnico e imersão espiritual.
A origem de Bach numa família de músicos, enraizada na tradição luterana da Alemanha central, moldou profundamente a sua linguagem musical. Ao longo da sua trajetória, assimilou influências diversas: da expressividade e clareza harmónica italiana, com os seus contrastes e formas claras, à rica polifonia do norte da Alemanha, passando pela elegância da música francesa. Essa síntese manifesta-se na sua obra com notável profundidade espiritual e simbolismo, evidentes sobretudo nas suas obras sacras, mas não só, onde a música transcende a técnica para se tornar veículo de fé e reflexão.
O legado de Bach estendeu-se também através dos seus filhos — Wilhelm Friedemann, Carl Philipp Emanuel, Johann Christoph Friedrich e Johann Christian — todos músicos e compositores brilhantes. As suas obras marcam a transição entre o barroco e o classicismo, refletindo a influência paterna ao mesmo tempo em que abrem novas direções estéticas. Além disso, foram fundamentais na preservação e difusão da música do seu pai, cuja receção moderna se começou a consolidar no século XIX.
Um momento decisivo dessa redescoberta ocorreu em 1829, quando Felix Mendelssohn dirigiu uma histórica interpretação da Paixão segundo São Mateus. Este evento marcou o renascimento do interesse por Bach e a sua consagração definitiva no imaginário musical europeu.
Hoje, a música de Bach permanece viva e essencial. É fundamento na formação de músicos, objeto de incontáveis gravações e referência constante em estudos teóricos. As suas obras atravessam meios e formatos — do cinema à literatura, da interpretação historicamente informada à fusão com linguagens contemporâneas. Mais do que um compositor do passado, Bach é uma presença viva, fonte de inspiração filosófica, espiritual e artística para públicos dos mais diversos contextos.
Eugénio Amorim iniciou os estudos musicais com o pai, prosseguindo na Academia de Música de Santa Maria da Feira e no Conservatório de Música do Porto, onde concluiu os Cursos Superiores de Piano e Composição. Estudou ainda na Escola Superior de Música de Würzburg (Alemanha), onde obteve o Bacharelato em Direção de Orquestra e a Licenciatura em Música Sacra.
Foi maestro do Coro da Sé Catedral do Porto (1994–2010), com cerca de 300 concertos realizados em Portugal, Inglaterra e Alemanha, e duas gravações discográficas. Destaca-se também como compositor, com obras como Cantiones Harmonicae, Via Lucis, Turris Eburnea, Benedictus, Salve Regina (2024) e dois Magnificat.
Ativo como organista e improvisador, tem atuado em concertos dedicados integralmente à improvisação. Doutorado pela Universidade Católica Portuguesa, é investigador do CESEM (FCSH – Universidade Nova de Lisboa). Lecionou na Escola das Artes da Universidade Católica, até 2003, e é, atualmente, docente e Presidente do Conselho Técnico-Científico da ESMAE – Instituto Politécnico do Porto.
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