Candinho – Uma Ópera para Todos
Libreto e Música de João Guilherme Ripper
Ensemble MPMP e Coro Juvenil do Instituto Gregoriano de Lisboa
Concerto comentado por André Cunha Leal
CCB . 17 de maio . domingo . 11h00 . Pequeno Auditório
Programa
Candinho
Libreto e Música de João Guilherme Ripper
Ficha Artística
Música e Texto João Guilherme Ripper
Direção Musical Tiago Oliveira
Direção Coral Filipa Palhares
Correpetição Philippe Marques
Encenação Mário Alves
Assistente de Encenação / Apoio de Produção à Cena Sónia Aragão
Direção de Cena Paula Menezes
Desenho de Luzes Nuno Almeida
Consultoria de Arte Nuno Esteves
Construção e Montagem Daniela Louro e Sofia Guerreiro
Portinari Eric Meireles (ator)
Candinho Ricardo Moniz (tenor)
Branca Maria do Carmo Rollin (soprano)
Maria José Marilia Zangrandi (soprano)
Gôndola/Domenica Cátia Moreso (meio-soprano)
Lavrador/Palhaço Beringela Frederico Nobre Projecto (tenor)
Padre Josué/Batista André Henriques (barítono)
Ensemble MPMP
Produção MPMP Duarte Pereira Martins, Luís Salgueiro e Maria da Paz Carvalho
Correpetição Ricardo Vicente
Coro do Instituto Gregoriano
Direção, Preparação e Produção do Coro Filipa Palhares
Produção Geral ION [Clarissa Bessa (prod. executiva); Caio Amaral (ass. de produção)] e ProART [André Cunha Leal e Fernando Santos (gestão)]
Candinho retrata a infância de Cândido Portinari. Estruturada num ato e dez cenas, a obra mistura realidade e ficção ao recriar o quotidiano da aldeia natal do pintor, as brincadeiras das crianças e os momentos que conduziram ao despertar artístico de um dos maiores pintores brasileiros.
Na narrativa, o jovem Candinho divide o seu tempo entre as aulas com o Padre Josué, os desfiles da banda onde o seu pai toca bombardino e as brincadeiras com os amigos. Quando o circo chega à cidade, trazendo magia à comunidade, o palhaço Beringela oferece-lhe um sinal na testa que lhe garante entrada gratuita. No entanto, Candinho adormece e perde a única apresentação, acordando apenas quando o circo já está a ser desmontado.
Num momento comovente, o palhaço Beringela consola o desiludido Candinho e encoraja-o a usar a imaginação para desenhar o circo que não conseguiu ver. Esse gesto marca o início do seu talento artístico, levando-o a retratar o seu mundo com uma sensibilidade ímpar. A obra culmina com a sua partida para o Rio de Janeiro, levando consigo não apenas uma pequena mala, mas também as memórias visuais que mais tarde dariam vida às suas célebres pinturas.
As obras de Portinari servem de inspiração para os cenários e figurinos, criando uma experiência visual rica que complementa a narrativa musical. Personagens como Maria José, D. Gôndola e o emblemático Palhaço Beringela compõem este enredo sobre o despertar artístico e a importância do apoio da comunidade no desenvolvimento de talentos.
UM PROJETO DE INTERVENÇÃO ARTÍSTICA E SOCIAL
Esta apresentação nasceu de Candinho — Uma Ópera para Todos!, um projeto que leva a ópera Candinho, do compositor João Guilherme Ripper, aos bairros e comunidades periféricas de Lisboa. Inspirada na infância do célebre artista brasileiro Cândido Portinari, esta ópera aborda temas universais como os sonhos, as descobertas e a superação, permitindo uma conexão profunda com as vivencias dos jovens das comunidades envolvidas.
O projeto nasce de uma convicção simples, mas transformadora: a opera, tradicionalmente percecionada como uma arte elitista, pode — e deve — tornar-se numa experiencia acessível, participativa e significativa para todos, em particular para os jovens que habitam áreas urbanas mais vulneráveis.
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