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Hospital CUF Tejo realiza primeiro transplante de córnea artificial EndoArt numa instituição privada em Portugal

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Procedimento inovador reforça diferenciação da Unidade de Córnea e Transplantação do Hospital CUF Tejo e alarga as opções terapêuticas para casos complexos de edema crónico da córnea associado a disfunção endotelial.

Lisboa, 19 de maio de 2026 – O Hospital CUF Tejo assinala um marco na Oftalmologia em Portugal, com a realização do primeiro transplante de córnea artificial EndoArt numa instituição privada do país. 

A cirurgia, que foi realizada por uma equipa liderada pelos oftalmologistas Vítor Maduro, Nuno Campos, Tomás Loureiro e Inês Machado Soares, da Unidade de Córnea e Transplantação do Hospital CUF Tejo, acrescenta uma nova técnica avançada ao conjunto de soluções disponíveis para o tratamento de doenças da córnea, em particular dos casos mais complexos de disfunção endotelial.

A córnea artificial EndoArt é um implante endotelial desenvolvido para o tratamento do edema crónico da córnea associado a disfunção do endotélio, a camada mais interna da córnea, responsável por manter a sua transparência. Quando esta função falha, a córnea pode acumular líquido, tornar-se opaca e comprometer progressivamente a visão.

Entre as vantagens potenciais deste implante, destacam-se a disponibilidade imediata, a ausência de dependência de tecido humano e a inexistência de resposta imunológica associada a um enxerto biológico.

Esta tecnologia está reservada a casos com indicações clínicas rigorosamente definidas. É uma opção sobretudo para doentes com edema corneano crónico em contextos complexos, nomeadamente quando a queratoplastia endotelial convencional falhou, apresenta elevado risco de insucesso ou quando se pretende reduzir a dependência de tecido de dador. 

“Este procedimento representa mais um passo na diferenciação da transplantação corneana em Portugal. O EndoArt não substitui as técnicas convencionais, mas acrescenta uma opção altamente especializada para alguns doentes, aos quais as alternativas tradicionais podem não oferecer a melhor resposta. O mais importante é podermos escolher, em cada caso, a técnica mais adequada ao doente”, afirma o oftalmologista do Hospital CUF Tejo, Vítor Maduro.

As doenças endoteliais da córnea, como a distrofia endotelial de Fuchs e outras formas de descompensação endotelial, são causas relevantes de perda de transparência da córnea e podem conduzir à necessidade de transplante. Embora não existam dados epidemiológicos nacionais consolidados sobre a prevalência destas doenças em Portugal, estudos internacionais apontam para que a distrofia endotelial de Fuchs seja uma das doenças mais comuns do endotélio corneano. A doença tende a ser mais frequente com o envelhecimento e é uma das principais indicações para transplante endotelial da córnea.

A transplantação da córnea é uma área particularmente exigente da Oftalmologia, por depender de elevada diferenciação técnica, de uma seleção rigorosa dos doentes e, em muitos casos, da disponibilidade de tecido de dador. A nível global, a evidência indica uma forte escassez de tecido de dador, estimando-se que haja 12,7 milhões de pessoas à espera de transplante de córnea e apenas cerca de 1 em 70 necessidades cobertas. Em Portugal, o reforço da capacidade de colheita, conservação e utilização de córneas tem sido uma prioridade recente, nomeadamente com a criação do Banco de Córneas de Cultura, em 2023, que veio aumentar a disponibilidade e qualidade dos tecidos para transplante.

Com este procedimento, a Unidade de Córnea e Transplantação do Hospital CUF Tejo consolida-se como uma resposta altamente diferenciada para as necessidades dos doentes, disponibilizando, num único hospital, as principais técnicas de transplante corneano utilizadas a nível internacional, incluindo abordagens inovadoras para casos de maior complexidade.
 

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