Polarização aumenta no mercado europeu de centros comerciais

  • É esperado um aumento da reconversão de centros comerciais secundários para os usos de escritórios e residencial
  • Foram concluídos 2,6 milhões de m² de novos centros comerciais em 2018 na Europa, menos 28% de área inaugurada face ao ano anterior
  • A queda na inauguração de novos centros comerciais face a 2017 foi mais acentuada na Europa Central (31%) do que na Europa Ocidental  (23%)
  • Turquia, Rússia, Polónia e França registaram o maior volume de nova área de centros comerciais em 2018
De acordo com a última edição do estudo ‘European Shopping Centre: The Development Story’ publicado pela Cushman & Wakefield, à medida que o mercado de centros comerciais atinge a maturidade na maioria dos países europeus, deverá assistir-se a uma polarização crescente entre empreendimentos prime bem sucedidos e centros secundários que enfrentam dificuldades e terão de se reinventar para sobreviver.
 
O research anual da consultora revela que em 2018 foram inaugurados cerca de 2,6 milhões de m² de novos centros comerciais, 28% abaixo do registado em 2017. O valor de 2018 representa o nível mais baixo de promoção dos últimos 24 anos, sendo comparável aos volumes verificados no início da década de 1990, altura em que os primeiros centros comerciais tradicionais abriram na Europa Central e de Leste e também em Portugal.
 
Contudo, e apesar do ritmo de novas promoções ter abrandado ao longo dos últimos cinco anos, a dimensão total do mercado europeu continua a crescer  – fixando-se atualmente em 168,1 milhões de m² – intensificando a concorrência entre centros comerciais. Numa tentativa de manter a sua posição no mercado, os promotores estão a concentrar esforços na reformulação de projetos, com o objetivo de criar centros comerciais e de lazer sofisticados, modernos e esteticamente agradáveis.

Marta Esteves Costa, Partner, Head of Research na Cushman & Wakefield, refere: “As oportunidades para a promoção de novos centros comerciais são encaradas tendo em vista dois tipos de ativos. Por um lado, empreendimentos predominantemente inovadores com uma forte componente de lazer e, por outro, pequenos espaços comerciais de conveniência integrados na comunidade envolvente, onde a proximidade, a presença de um operador da área da restauração e um mix comercial adequado são fatores cruciais para o sucesso.”
 
Europa Ocidental
A crescente preocupação com o aumento do e-commerce e o forte crescimento do comércio de rua influenciaram negativamente a promoção de novos centros comerciais na Europa Ocidental. França foi, pelo quarto ano consecutivo, o país mais ativo em termos de área inaugurada, com um volume adicional de 237.000 m².
 
No Reino Unido, e apesar do crescimento do comércio eletrónico ter provocado o encerramento de lojas, o excesso de oferta não desencorajou a promoção de novos centros comerciais. Alterou apenas o foco dos promotores que têm como principal objetivo proporcionarem experiências de compra únicas e interativas através da oferta de lazer e empreendimentos de uso misto. Em 2018, o Reino Unido foi o terceiro mercado mais dinâmico na atividade de promoção na Europa Ocidental, com um total de 147.000 m² inaugurados, dos quais 74% concentrados em dois centros comerciais. Estes valores representam um aumento de 8% face a 2017.  
 
Os empreendimentos de uso misto estão a tornar-se cada vez mais populares à medida que os investidores se apercebem do seu potencial. Como se verifica em algumas partes da Europa, sendo França um excelente exemplo, os promotores de centros comerciais estão a tentar diversificar com novos formatos como retail parks e formatos híbridos que incluem escritórios, hotéis e residencial.
 
Para o biénio 2019/2020, são esperados 2,1 milhões de m² de novos centros comerciais na Europa Ocidental.

Na Europa do Sul, Espanha mantém a liderança no desenvolvimento de centros comerciais, enquanto em Portugal se verifica uma abordagem mais conservadora, com uma aposta clara na reconversão e expansão de centros existentes em oposição ao desenvolvimento de novos projetos de raiz. A nova oferta de conjuntos comerciais projetada para os próximos três anos irá acrescentar apenas 60.000 m² ao stock de retalho em Portugal, sendo a grande maioria desta área correspondente à expansão de centros existentes.
 
De acordo com Marta Esteves Costa, “a maturidade da indústria de retalho em Portugal foi há muito identificada pelos principais players do mercado, que gozam de uma vasta experiência no setor, maioritariamente bem sucedida e sempre adaptada ao potencial do mercado. O recente crescimento do formato de rua, alinhado com a evolução do online, são também fatores tidos em conta na opção de favorecimento do investimento em projetos que contam já com um longo historial de sucesso em detrimento de novos desenvolvimentos.”
 
Sobre a Cushman & Wakefield
A Cushman & Wakefield (NYSE: CWK) é uma consultora líder global em serviços imobiliários que cria valor significativo a ocupantes e investidores em todo o mundo. A Cushman & Wakefield está entre as maiores empresas de serviços imobiliários com 51.000 colaboradores distribuídos por 400 escritórios em 70 países. Em 2018, a consultora registou uma faturação de 8,2 mil milhões de dólares através de serviços de agência, representação de inquilinos, vendas e aquisições, gestão de imóveis, gestão de projetos, consultoria e avaliações. Para saber mais visite www.cushmanwakefield.pt

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