A epopeia dos marinheiros de água doce
Festival mototurístico entre as termas de S. Pedro do Sul e de Vizela
Ao atravessar o Rio Douro, saberão os participantes do 28.º Portugal de Lés-a-Lés que se aproximam a passos largos do palanque final em Vizela, depois dos 320 quilómetros da terceira etapa com partida de São Pedro do Sul. Num País de históricos marinheiros, a aventura gizada pela Federação de Motociclismo de Portugal com início junto ao Atlântico, no extremo sul de Portugal, saiu de Faro em direção às fantásticas praias do sudoeste alentejano banhadas pelo oceano que nos separa das américas, mas o maior contacto com a água vai dar-se nas inúmeras travessias de rios e ribeiras ao longo dos quase 1200 quilómetros do maior desafio mototurístico da Europa.
Uma aventura que, no último dia, ligará as duas terras de fortes argumentos termais, passando por Terras do Demo, pelo Douro Vinhateiro, pelas minas auríferas de Jales e por Terras de Basto, com paisagens que, não raras vezes, mudam num simples piscar de olhos. Ou melhor, numa simples travessia de um qualquer curso de água.
Assim, no sábado, dia 13 de junho, a madrugadora saída será feita através do bucólico vale do Rio Sul, curto de 14 km entre a nascente e a confluência no rio Vouga, passando depois na Ribeira de Degracia e nos rios Paivô, Côvo, Paiva e Távora (aqui pela singela mas historicamente importante Ponte de Riodades…), antes da desejada passagem do Douro. Que será feita através da barragem construída junto ao mítico Cachão da Valeira, local onde, antes de ser represado, em 1976, o Douro tinha uma poderosa cascata de sete metros de altura. Perto do local onde, diz a lenda, faleceu o viúvo Barão de Forrester, após o naufrágio do luxuoso rabelo onde viajava a convite de Dona Antónia Adelaide Ferreira, a ‘Ferreirinha’ com quem se dizia ter um caso amoroso. E que se terá salvo graças ao efeito de boia gerado pelas suas longas saias enquanto o Barão era arrastado para o fundo do rio devido ao peso dos sacos de moedas que transportava nos bolsos. Lendas para desvendar na próxima semana…
Mais rios, muitas curvas e… bolos
Mas para os participantes do Lés-a-Lés, quais aventureiros de água doce, mais rios surgirão no caminho, da Ribeira de Linhares ao pequeno rio Peio, no Arco de Baúlhe, passando pelo Tua, Torno e Tâmega. Isto num dia com direito a uns toques na N2 mas, também e sobretudo, a muitas curvas. E, claro está, meia dúzia de Oásis para restabelecer as forças que isto de andar de moto abre o apetite. Paragens para comer, beber e descontrair em Castro Daire, Moimenta da Beira, São João da Pesqueira, Alijó, Vila Pouca de Aguiar e Cabeceiras de Basto, aqui numa curiosa pista de corridas dos mais pequenos e simpáticos equídeos, à sombra do monumental Mosteiro de São Miguel de Refojos. Mas, ainda antes de provar o famoso bolinhol de Vizela, há que superar as traquinices, emboscadas e outras partidas, protagonizadas por alguns dos principais motoclubes nortenhos, de Barcelos, Guimarães ou Porto.
Não se pense, porém, que apenas no último dia serão atravessados tantos cursos de água. É que, desde a primeira etapa, serão passados muitos rios e ribeiras, como as de Tôr e Alter, logo no arranque algarvio, seguindo-se o Rio Arade, a Ribeira de Odelouca, com destemida travessia a vau, a Ribeira de Seixe, na passagem para o Alentejo, onde haverá que superar os rios Mira e Sado. Ainda mais água doce verão os mototuristas na segunda jornada, começando pelo majestoso Tejo, continuando pelo Sorraia, Ribeira de Muge, Nabão, Ceira, Zêzere e Mondego. Depois, tempo para descobrir os rios Serra, Águeda, Alcofra, Alfusqueiro e Vouga mesmo antes da chegada a São Pedro do Sul onde termina a segunda etapa.
No dia seguinte, o último do Lés-a-Lés de 2026, há que arrepiar caminho em verdadeiro festival mototurístico até à terra do bolinhol. Quem não conhece, terá uma oportunidade ímpar de descobrir esta verdadeira joia da doçaria regional! Sim, porque o Lés-a-Lés não se resume a andar de moto!
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