Imprensa Nacional apresenta novos livros da Biblioteca José-Augusto França no Grémio Literário
Partindo duma seleção realizada pelo próprio autor, a Coleção Biblioteca José Augusto-França, composta por 16 volumes, tem vindo a ser publicada pela Imprensa Nacional desde 2017.
Segundo Duarte Azinheira, Diretor de Edição e Cultura da INCM, «Muitas das obras são aqui revistas e ampliadas, contando, algumas, com material inédito e disperso. Pretende a Biblioteca José-Augusto França sintetizar, de forma extensa e profunda, os vários lugares de interesse e questionamento do autor — entre ensaios, romance, contos, memórias, teatro — e também reunir o melhor da reflexão de um homem que a UNESCO considerou como um símbolo maior do pensamento europeu.»
O volume 4 da Biblioteca José-Augusto França constituiu a última obra editada sob a coordenação direta do Professor José-Augusto França, figura maior da historiografia da arte em Portugal e referência incontornável na cultura portuguesa contemporânea. Após o seu falecimento, em 2021, a Imprensa Nacional entendeu confiar a coordenação científica dos volumes remanescentes desta coleção à Professora Doutora Raquel Henriques da Silva, professora catedrática jubilada do Departamento de História da Arte da NOVA FCSH e colaboradora próxima do autor.
Esta decisão procurou preservar o espírito e os critérios editoriais que orientaram a coleção desde o seu início, assegurando a continuidade do projeto com o mesmo rigor científico e exigência intelectual. A Professora Raquel Henriques da Silva assume, assim, a responsabilidade pela atualização de dados, pela substituição pontual ou omissão de imagens de obras cuja localização não pôde ser confirmada, bem como pela curadoria dos textos introdutórios dos volumes futuros, garantindo que o legado de José-Augusto França continue a ser honrado.
Mantendo o critério estabelecido no volume 4, optou-se por incluir, sempre que possível, fotografias atuais de monumentos e edifícios, de modo a facilitar o reconhecimento dos locais representados.
São agora lançados os volumes 5 e 6 desta coleção: A Arte em Portugal no Século XIX e A Arte em Portugal no Século XX.
A Arte em Portugal no Século XIX – volume 5, em 2 tomos
«[Nesta obra] que agora se reedita, […] os conteúdos centram-se na produção artística, envolvendo a arquitetura, o desenvolvimento urbano (sobretudo em Lisboa), a pintura, a escultura e o quadro institucional dos diversos subperíodos, que incluem a formação e a divulgação, com especial destaque para a crítica da arte publicada na imprensa.
Esta extraordinária abrangência, manejando fontes secundárias publicadas em jornais e revistas, legou, a todos os interessados, uma visão densa, estruturada e holística da época em estudo.
Ainda hoje, mais de cinquenta anos após a sua publicação, A Arte em Portugal no Século XIX mantém-se como uma referência incontornável e um enérgico instrumento de trabalho pelas sugestões complementares contidas nas centenas de notas que acompanham os dois volumes.» Raquel Henriques da Silva, na introdução a este livro, «O nascimento da história de arte portuguesa do século XIX»
A Arte em Portugal no Século XX – volume 6
«Dentro da cronologia definida e liberto de citar artistas que considerou «tipicamente oitocentistas», França organizou a obra em três partes («Os anos 10 e 20»; «Os anos 30 e 40»; «Os anos 40 e 50»), cada uma com, sensivelmente, 100 páginas, e subdivididas numa série de capítulos. Com exaustividade, idêntica à utilizada em A Arte em Portugal no Século XIX, destaca os principais pintores, escultores e arquitetos e as suas respetivas obras, bem como as dinâmicas das práticas artísticas, expressas em iniciativas grupais — exposições, manifestos, revistas e jornais — e articulações, mais ou menos complexas, envolvendo as instituições com que tinham de se relacionar. A organização tripartida da obra corresponde a outra que pela primeira vez foi usada em Portugal e cuja pertinência se estava então a generalizar na crítica de arte internacional: a designação, aparentemente, precisa de «geração».
[…] Embora o autor mantenha a determinação de não deixar nada de fora (e, por isso, as notas têm uma extensão considerável e continuam a ser um manancial de informação), há uma clara prevalência dos pintores sobre os arquitetos e escultores que são tratados em capítulos conjuntos, sem que nenhum deles tenha capítulo individual. Em relação aos pintores, o direito a capítulo próprio pertence apenas a Amadeo de Souza Cardoso, Eduardo Viana, Almada Negreiros e António Pedro e António Dacosta, estes juntos no último capítulo da segunda parte da obra, dedicada aos «Anos 30 e 40». Há outro aspeto que tem de ser salientado na complexa arquitetura deste livro: a Almada Negreiros, França dedica três capítulos autónomos, um em cada uma das «partes», percorrendo exaustivamente a longevidade do artista.» Raquel Henriques da Silva, no texto de introdução a este livro.
Esta edição inclui ainda o texto «Breves considerações sobre a história da arte do presente», de José-Augusto França.
A apresentação dos volumes 5 e 6 da Coleção Biblioteca José-Augusto França, acontecerá no dia 23 de junho, às 18h30 no Grémio Literário e contará com a presença de Manuela França Perraud, Guilherme d’Oliveira Martins, Raquel Henriques da Silva, Luis Castro Mendes e Duarte Azinheira.
A Arte em Portugal no Século XIX – volume 5, e A Arte em Portugal no Século XX – volume 6
23 de junho | 18h30
Grémio Literário
Rua Ivens, 37
Lisboa
Entrada livre
Sobre a Imprensa Nacional
A Imprensa Nacional cumpriu em 2018 dois séculos e meio de atividade de edição livreira, um percurso iniciado em 1768 com o estabelecimento da Imprensa Régia, que passa em 1833 a designar-se Imprensa Nacional. Em 1972 passou a ser parte integrante da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), uma sociedade anónima de capitais públicos. Herdeira de uma ampla experiência editorial e de um vastíssimo catálogo, a preservação e divulgação da memória e do património comuns da cultura portuguesa aliadas a uma contínua renovação constituem a missão. A renovação aliada à memória: a par de obras e autores consagrados, de temas e coleções tradicionais, surgem novos autores e inauguram-se coleções que conferem à linha editorial da editora pública o timbre que a mantém em consonância com a contemporaneidade.
Sobre a INCM
A INCM resulta da fusão de dois dos mais antigos estabelecimentos industriais do País, a Imprensa Nacional, criada em 1768, e a Casa da Moeda, com mais de 700 anos de história. Atualmente, a inovação tecnológica, desenvolvida em parceria com algumas das principais universidades e centros de investigação nacionais, é um dos pilares estratégicos da INCM, permitindo-lhe criar soluções e produtos com elevados padrões de segurança e garantir a proteção de bens e valores essenciais da sociedade. Destacam-se, entre esses bens e serviços essenciais, a produção de documentos de segurança, como o cartão de cidadão ou o passaporte, a autenticação de metais preciosos, a edição do Diário da República, a publicação de obras fundamentais da língua e da cultura portuguesa e a cunhagem de moeda corrente e de coleção.
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