Presidenciais 2026: Abstenção jovem resulta sobretudo de desconfiança, afastamento político e baixa prioridade atribuída ao voto
Estudo IPAM “Participação eleitoral e abstenção entre os jovens em Portugal”
A abstenção entre os jovens em Portugal está menos relacionada com obstáculos sociodemográficos, e mais associada a fatores atitudinais e psicológicos, como o desinteresse político, a desconfiança nas instituições e o sentimento de afastamento em relação aos decisores. Esta são algumas das principais conclusões do estudo “Participação eleitoral e abstenção entre os jovens em Portugal”, desenvolvido pelo IPAM, que analisou os níveis de participação eleitoral e os fatores explicativos da abstenção junto de 694 jovens entre os 18 e os 24 anos, entre 10 e 25 de fevereiro de 2026.
O estudo revela que 86,6% dos inquiridos afirmam ter votado nas eleições presidenciais, enquanto 13,4% abstiveram-se. No entanto, mais do que a taxa de participação, o estudo procurou compreender os fatores que distinguem votantes e abstencionistas.
Os resultados mostram que a participação eleitoral está fortemente associada a três dimensões centrais
· interesse por política
· confiança nas instituições
· perceção de relevância da política para a vida quotidiana
Entre os jovens que votaram, 68,2% afirmam interessar-se por política, enquanto apenas 36,6% dos abstencionistas expressam esse interesse. Em contrapartida, 35,5% dos abstencionistas afirmam não se interessar por política, comparativamente a apenas 10,5% dos votantes
Também a confiança institucional apresenta diferenças significativas com 31,8% dos votantes a afirmar confiar nas instituições políticas, face a apenas 10,8% dos abstencionistas. Por outro lado, 48,4% dos jovens que não votaram expressam desconfiança, comparativamente a 25,5% entre os que participaram eleitoralmente.
A perceção de relevância da política surge igualmente como um fator determinante para o ato de votar. Enquanto 72,7% dos votantes consideram que a política aborda temas importantes para a sua vida, essa perceção é partilhada por apenas 44,1% dos abstencionistas.
Curiosamente, o sentimento de que os jovens não são levados a sério na política é transversal a ambos os grupos. Apenas 13,1% dos votantes e 16,1% dos abstencionistas consideram que os jovens são efetivamente ouvidos, sendo que cerca de metade dos jovens, independentemente de terem votado ou não, expressa discordância quanto à sua representação política.
Preferência por voto online e falta de identificação com candidatos explicam abstenção
A análise das motivações específicas da abstenção permite identificar fatores estruturais mais profundos. O principal motivo apontado pelos jovens que não votaram é a preferência por formas alternativas de participação eleitoral, 60,2% afirmam que votariam mais se pudessem votar online. Este dado é reforçado pela clara preferência pelo voto eletrónico remoto entre abstencionistas, 57% indicam este modelo como preferido, enquanto apenas 6,5% manifestam preferência pelo voto presencial tradicional.
A falta de identificação com candidatos constitui igualmente um fator central e nesta matéria 54,8% dos abstencionistas afirmam não se identificar com nenhum candidato, evidenciando um problema de representação política.
Quase metade (48,4%) refere ter tido outras prioridades, como trabalho ou estudos, sugerindo que o voto não ocupa um lugar central na hierarquia de prioridades destes jovens.
A desconfiança institucional surge também como fator estrutural relevante, 44,1% afirmam não votar por não confiarem nos partidos e nos políticos, e 43,0% consideram que os políticos não se preocupam com os problemas dos jovens.
Em contraste, fatores logísticos assumem menor relevância. Apenas 16,1% referem dificuldades práticas, como transporte ou horários, como motivo para não votar, confirmando que a abstenção jovem não resulta maioritariamente de obstáculos operacionais.
Prioridade atribuída ao voto é o fator com maior impacto
A análise realizada no âmbito do estudo permitiu identificar os fatores com maior poder explicativo da abstenção.
O elemento com maior impacto é a prioridade/importância atribuída ao voto. A concordância com a afirmação “tinha outras prioridades” está associada a um aumento significativo da probabilidade de abstenção, indicando que o afastamento eleitoral resulta, em grande medida, da menor centralidade do ato eleitoral na vida dos jovens.
A perceção de afastamento geracional, a desconfiança institucional e a falta de informação clara sobre os candidatos revelam igualmente impacto significativo na probabilidade de abstenção.
Os resultados demonstram que a abstenção jovem resulta sobretudo de fatores estruturais relacionados com o envolvimento político, a representação e a confiança institucional, e não de constrangimentos logísticos.
Entre os fatores centrais destacam-se:
· Falta de identificação com candidatos (54,8%)
· Preferência por formatos digitais para a votação (60,2%)
· Baixa prioridade atribuída ao voto (48,4%)
· Desconfiança e afastamento face aos políticos (44,1% e 43,0%, respetivamente)
Para os investigadores, estes dados sugerem que o aumento da participação eleitoral entre os jovens dependerá sobretudo da capacidade das instituições políticas em reforçar a confiança, aproximar-se das preocupações reais desta geração e adaptar os mecanismos de participação às suas expectativas, nomeadamente através da modernização dos modelos de votação.
Ficha técnica
O estudo “Participação eleitoral e abstenção entre os jovens em Portugal” foi desenvolvido pelo IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing, sob coordenação científica de Catarina Domingos e Isabel Machado.
A investigação baseou-se numa amostra de 694 jovens residentes em Portugal, com idades entre os 18 e os 24 anos. A recolha de dados decorreu entre 10 e 25 de fevereiro de 2026, através de questionário estruturado aplicado online.
Sobre o IPAM
O IPAM lidera o ensino do Marketing em Portugal há mais de 40 anos, sendo a Marketing Business School que se dedica ao desenvolvimento de líderes de negócio capazes de criar visões estratégicas de sucesso num mundo em constante evolução. Com uma oferta educativa completa de Licenciaturas, Mestrados, Cursos Técnicos Superiores Profissionais e Formação de Executivos nas áreas do Marketing, Negócios e Tecnologia, disponível através dos seus campus no Porto, em Lisboa ou 100% Online, o IPAM destaca-se pelo seu modelo académico imersivo e inovador com forte ligação ao mercado, em que os estudantes desenvolvem soluções para desafios reais de empresas nacionais e internacionais em cerca de 85% das unidades curriculares, potenciando a sua empregabilidade em qualquer parte do mundo.
Para mais informações sobre o IPAM: www.ipam.pt
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