Subsídio de Natal volta a ser determinante no orçamento das famílias neste Natal
IPAM divulga conclusões da 17.ª edição do estudo “Compras de Natal”
Apesar do contexto económico exigente, o orçamento médio para o Natal sobe para 398 euros. O comércio digital consolida o seu peso e atrai uma fatia crescente de compradores.
O subsídio de Natal continua a ser um elemento determinante no comportamento de compra dos portugueses. De acordo com a 17.ª edição do estudo “Compras de Natal”, realizado pelo IPAM, 85% dos inquiridos recebe este rendimento adicional, percentagem praticamente estável desde 2020. A maioria utiliza uma parte significativa do montante nas compras da época, enquanto apenas 1% não tenciona aplicá-lo no consumo natalício e 3% prevê gastar o subsídio na totalidade.
No que diz respeito ao valor médio esperado para as compras de Natal situa-se nos 398 euros, um crescimento de 1,55% face a 2024. Esta evolução prolonga a inversão de tendência registada no ano passado, quando o gasto médio aumentou 10% após dois anos de descida. Contudo, tal como já tinha sido observado em 2024, a maior parte dos consumidores identifica o aumento dos preços como o principal motivo para esta subida, e não uma maior disponibilidade financeira.
Dos inquiridos que referem que vão gastar um valor inferior em 2025, destacam-se reduções nos presentes para adultos (75%), bem como nas ornamentações de Natal (82%).
Consumidores redefinem prioridades e mantêm foco nas crianças
O estudo confirma que os portugueses continuam a ajustar comportamentos para controlar despesas. Quase metade dos inquiridos (49%) alterou hábitos devido à conjuntura económica, sobretudo reduzindo custos, diminuindo o número de pessoas a quem oferecem presentes e antecipando compras para aproveitar melhores preços.
Apesar disso, as crianças mantêm prioridade absoluta nas compras de presentes, tal como verificado no ano passado. Entre as famílias com filhos, 100% afirma comprar prendas para crianças e 78% para o marido e/ou mulher, e apenas 12% da amostra total declara que não oferecerá presentes, um valor bastante inferior aos 21% registados em 2024.
Nos produtos para crianças até 12 anos, brinquedos lideram com 36,2%, seguindo-se roupa e calçado (20,2%) e livros (17%). Para adolescentes, a preferência recai novamente sobre roupa/sapatos (37%) e jogos eletrónicos (19%). Nos adultos, destacam-se roupa/sapatos (23%), acessórios (20%) e livros (18%).
Compras online ganham expressão, mas centros comerciais continuam relevantes
O IPAM identifica uma consolidação clara das compras digitais: 34% dos portugueses pretende comprar exclusivamente online (face aos 27% registados em 2024), um valor que reforça a mudança iniciada nos anos pós-pandemia. Ainda assim, os centros comerciais continuam a ocupar um papel relevante, sendo a principal escolha de 18% dos inquiridos, acima dos que combinam este tipo de espaço com comércio de rua. Este valor traduz uma descida face a 2024, quando os centros comerciais eram a escolha de 21% dos consumidores. O comércio de rua é opção para apenas 9% dos inquiridos.
Quanto ao momento de compra, 57% realiza as compras em dezembro, enquanto 39% opta por antecipá-las. As principais razões relacionam-se com a procura de preços mais baixos, aproveitando promoções como a Black Friday, menor concentração de pessoas e garantia de entregas dentro dos prazos no caso das compras online. O período de saldos após o Natal é referido como opção por 4% dos inquiridos.
“Os dados deste ano mostram que o consumidor português preserva as tradições do Natal, mas fá-lo com maior sentido de prioridade e com uma atenção constante ao impacto da inflação. O ligeiro aumento do valor médio gasto não traduz maior poder de compra; traduz a necessidade de manter rotinas familiares numa conjuntura desafiante. Destaca-se, acima de tudo, a importância das crianças nas decisões de compra e a procura de soluções que permitam equilibrar celebração e contenção”, afirma Mafalda Ferreira, docente e coordenadora da licenciatura em Gestão de Marketing no IPAM Porto, e responsável pelo estudo.
Ficha Técnica do Estudo Compras de Natal 2025
O estudo foi realizado pelo IPAM, sob a coordenação da professora Mafalda Ferreira, diretora da Licenciatura em Gestão de Marketing do IPAM Porto e doutorada em Psicologia Social pela Universidade de Cádiz. A recolha de dados decorreu entre 22 de novembro e 7 de dezembro de 2025 em Portugal Continental, com uma amostra composta por 560 indivíduos, maiores de 18 anos, com a seguinte distribuição por classe social: 6,5% classe social A, 33% da B, 18% da C1, 35,9% da C2 e 6,6% da D. Os inquéritos foram administrados online e presencialmente, sempre que necessário para garantir o cumprimento das quotas definidas para as diferentes classes sociais. Realizado ininterruptamente desde 2009, o estudo “Compras de Natal” constitui uma das análises mais consistentes sobre comportamentos de consumo nesta época festiva
Sobre o IPAM
O IPAM lidera o ensino do Marketing em Portugal há mais de 40 anos, sendo a Marketing Business School que se dedica ao desenvolvimento de líderes de negócio capazes de criar visões estratégicas de sucesso num mundo em constante evolução. Com uma oferta educativa completa de Licenciaturas, Mestrados, Cursos Técnicos Superiores Profissionais e Formação de Executivos nas áreas do Marketing, Negócios e Tecnologia, disponível através dos seus campus no Porto, em Lisboa ou 100% Online, o IPAM destaca-se pelo seu modelo académico imersivo e inovador com forte ligação ao mercado, em que os estudantes desenvolvem soluções para desafios reais de empresas nacionais e internacionais em cerca de 85% das unidades curriculares, potenciando a sua empregabilidade em qualquer parte do mundo.
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