Estudo desenvolvido pela Fundação ”la Caixa”, o BPI e a Nova SBE mostra que entre 60% a 80% das despesas das famílias são em bens essenciais
As despesas essenciais absorvem entre 60% a 80% da despesa total dos agregados familiares
O rendimento discricionário médio em Portugal situava-se entre os 10 402€ e os 13 379€/ano em 2022
As famílias mais ricas dispõem de um rendimento discricionário 12 a 17 vezes superior ao das mais pobres
Entre 2015 e 2022 o rendimento discricionário aumentou em Portugal entre 24% e 40%, mas as desigualdades e dificuldades das famílias mantêm-se
Cerca de 26,5% dos agregados em Portugal gasta mais do que recebe (poupança negativa)
Entre as famílias mais pobres, 60% gasta mais do que recebe
Cerca de 34% das famílias mais pobres não sabe como enfrentaria uma despesa inesperada de 1000€
Carcavelos, 11 de março de 2026 – As famílias residentes em Portugal dedicam entre 60% a 80% dos seus gastos a despesas essenciais. O rendimento que sobra depois destas despesas (rendimento discricionário) é 12 a 17 vezes superior entre as famílias mais ricas do que entre as mais pobres. Apesar do aumento do rendimento discricionário nos últimos anos, em 2022, 26% dos agregados gasta mais do que recebe. Nas famílias mais pobres esta proporção é significativamente mais alta, atingindo os 60%, enquanto nas mais ricas é de apenas 8%. Os dados são revelados no mais recente relatório ‘Portugal, Balanço Social: Perspetivas’ - ‘Quanto sobra ao final do mês? Despesas essenciais, inesperadas e poupança’ – elaborada pelos investigadores da Nova SBE Susana Peralta, Bruno P. Carvalho, Miguel Fonseca e Pedro Lopes no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social uma parceria entre a Fundação ‘la Caixa’, o BPI e a Nova SBE e com o apoio financeiro da IKEA Portugal, no contexto do projeto “Os orçamentos das famílias em Portugal”.
O estudo baseia-se nos dados do Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023 do Instituto Nacional de Estatística, complementado por um inquérito próprio realizado em 2024, para analisar quanto sobra às famílias em Portugal após o pagamento das despesas essenciais – o chamado rendimento discricionário. Os resultados mostram que entre 2015 e 2022, o rendimento discricionário médio em Portugal aumentou de forma substancial (ou seja, o rendimento aumentou mais do que o custo das despesas essenciais). Ainda assim, e apesar de mais de 80% das famílias em Portugal apresentarem rendimentos discricionários positivos, apenas 49% a 66% dos mais pobres estão na mesma situação.
Destes, cerca de 60% apresentavam poupanças negativas, o que evidencia que a melhoria da média nacional não elimina as situações de maior fragilidade económica.
Em 2022, o rendimento discricionário médio em Portugal situava-se entre os 10 402€ e os 13 379€/ano. Analisando a distribuição de rendimento, verifica-se uma forte desigualdade entre as famílias mais pobres (cujo rendimento discricionário médio varia entre 1 485€ e 2 393€ por ano) e as famílias mais ricas (que atingem um rendimento discricionário médio entre 24 973€ e 30 004€ por ano). Assim, os agregados mais ricos têm, em média, um rendimento discricionário 12 a 17 vezes superior aos dos mais pobres.
No mesmo ano, o custo total das despesas essenciais varia entre 9 381€ e 12 795€. Apesar de os mais ricos terem um montante superior de gastos em despesas essenciais, estas representam uma maior proporção da despesa total para os agregados mais pobres (65%, no cabaz restrito), o que compara com 53% para os mais ricos, no mesmo tipo de cabaz. Isto sugere que uma parte substancial do orçamento dos agregados é absorvida por despesas consideradas essenciais, o que limita substancialmente a capacidade de fazer face a despesas inesperadas e/ou de poupar, referem os investigadores.
O rendimento discricionário é o rendimento que sobra, deduzidos apenas os gastos essenciais. Em contraste, a poupança é o rendimento que sobra, deduzidos todos os gastos. Neste sentido, a poupança é uma medida conservadora da almofada financeira das famílias.
A relação entre rendimento e fragilidade financeira torna-se particularmente evidente quando se analisa a poupança monetária de acordo com os diferentes grupos de rendimento. A proporção de agregados com poupança negativa diminui de forma acentuada com o aumento do rendimento. Quase 60% dos agregados com rendimentos mais baixos apresentam poupança negativa, face a apenas 8% dos agregados com rendimentos mais elevados, o que mostra que os agregados de menores rendimentos dispõem de uma margem orçamental muito mais reduzida, limitando significativamente a sua capacidade de acomodar acréscimos inesperados de despesa.
Esta vulnerabilidade é realçada quando se analisa a capacidade de resposta a imprevistos. Apenas 64,3% dos inquiridos afirmam conseguir suportar uma despesa inesperada de 632€ sem recorrer a empréstimos - proporção que atinge 90% entre os agregados com rendimentos mais elevados, mas desce para apenas 23,6% entre as famílias com rendimentos mais baixos. Perante o cenário de uma despesa inesperada de 1 000€, quase 50% indica que recorreria a poupanças disponíveis, 14% a crédito e 11% pediria ajuda a familiares ou amigos. Entre os agregados de menores rendimentos, 34,2% não saberia sequer como reagir a uma despesa inesperada deste montante.
Ao nível regional, observam-se diferenças relevantes tanto no rendimento discricionário como na capacidade de poupança das famílias. Os agregados residentes em Lisboa registam o rendimento discricionário mais elevado, enquanto os Açores e a Madeira apresentam os valores mais baixos. Importa, contudo, salientar que, apesar de Lisboa concentrar o maior custo de despesas essenciais, os níveis de rendimento mais elevados asseguram, ainda assim, uma maior margem financeira às famílias aí residentes. Em paralelo, a proporção de agregados com poupança negativa é mais elevada no Algarve (29,1%), seguido do Norte (28,9%) e da Madeira (26,1%), ao passo que os Açores se destacam como a região com menor incidência de poupança negativa (18,8%). Estes dados indicam assimetrias territoriais significativas na solidez financeira das famílias, reforçando a importância de uma leitura regional das dinâmicas de rendimento e poupança em Portugal.
Iniciativa para a Equidade Social
A Iniciativa para a Equidade Social é uma parceria entre a Fundação “la Caixa”, o BPI, e a Nova SBE, que visa impulsionar o setor social em Portugal com uma visão de longo prazo. Traçando um retrato do setor social em Portugal e desenvolvendo programas de investigação e capacitação para apoiar organizações sociais, a iniciativa envolve quatro projetos e duas cátedras.
Sobre a Cátedra Fundação “la Caixa” em Economia da Saúde
Parte da Iniciativa para a Equidade Social BPI | Fundação “la Caixa” a cátedra em Economia da Saúde foi atribuída ao Professor Pedro Pita Barros e tem como objetivo promover a investigação sobre o sector da saúde, bem como o conhecimento e discussão da sociedade portuguesa quanto a tendências, desafios e políticas do setor da saúde. Desenvolve investigação para analisar novas tendências e desafios no setor da saúde, através de medições de impacto, estudos e análises em temas como Acesso aos Serviços de Saúde, Recursos Humanos e Envelhecimento da População.
Sobre a Fundação ”la Caixa”
A Fundação ”la Caixa” iniciou em 2018 a sua implantação em Portugal, consequência da entrada do BPI no grupo CaixaBank. Em 2026, destina 56 milhões de euros a projetos sociais, de investigação, educativos e de divulgação cultural e científica.
Sobre a Nova SBE
A Nova SBE é a mais prestigiada business school em Portugal e uma das principais da Europa. É a faculdade de ciências económicas, financeiras e de gestão da Universidade NOVA de Lisboa. O atual Dean é o Prof. Pedro Oliveira (PhD, University of North Carolina at Chapel Hill). A Nova SBE é membro do CEMS desde dezembro de 2007 e é uma das 77 business schools com a atribuição Triple Crown em todo o mundo, o que implica a acreditação pela EQUIS, AMBA e AACSB. Foi a primeira business school portuguesa a adquirir acreditações internacionais e reconhecimento de renome mundial no ensino superior. A visão internacional da Nova SBE também se reflete na adoção do inglês como o principal idioma de ensino. Mais da metade dos cursos de graduação e todos os programas de mestrado, MBA e PhD são lecionados em inglês.
Sobre a IKEA Portugal
A IKEA Portugal, pertencente ao Grupo Ingka, entrou no país em 2004 com a abertura da IKEA Alfragide e tem, hoje em dia, cinco lojas no país - Alfragide, Loures, Loulé, Matosinhos e Braga – uma plataforma de venda online, dezasseis Estúdios de Planificação – Almada, Cascais, Coimbra, Évora, Funchal, Lagos, Leiria, Lisboa, Seixal, Setúbal, Sintra, Vila Nova de Gaia, Viseu, Aveiro, Beja e Guimarães – e vários Pontos de Recolha de encomendas. No total, a IKEA Portugal emprega cerca de 3.200 colaboradores e recebe cerca de 15 milhões de visitas anualmente nas lojas físicas e 64 milhões online (website e app). A IKEA, marca de origens suecas, oferece artigos para a casa, bem desenhados, sustentáveis e funcionais, sempre a preços acessíveis. Para mais informações visite www.IKEA.pt
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