Europa gasta cerca de 59 mil milhões de Euros por ano com a obesidade

A Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade (SPEO) alerta, no  âmbito do Congresso Português da Obesidade, que se estima que a União Europeia gaste 59 mil milhões de Euros com a obesidade, nomeadamente com custos diretos com esta doença que afeta quase um quarto da população portuguesa e cerca de 60% é obesa ou pré-obesa. Especialistas nacionais e internacionais vão reunir-se entre 23 e 25 de novembro para discutirem o impacto económico da doença nas contas públicas e privadas de saúde.

A obesidade é uma doença que tem ganho cada vez mais a atenção dos especialistas e organizações de saúde, na medida em que a sua prevalência tem aumentado não só em Portugal, mas em todo o mundo. Estima-se que mais de 20% da população mundial será obesa em 2025 se nada for feito para travar esta evolução.

“Estima-se que os custos com a obesidade representem 8% do orçamento total de saúde na Europa, o que demonstra o impacto que esta doença pode ter diretamente, como é o caso do tratamento e acompanhamento dos doentes com obesidade, mas também com custos indiretos. Os custos estão relacionados com o tratamento de outras multipatologias associadas tais como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, pressão arterial elevada, apneia obstrutiva do sono, infertilidade, cancro… A lista de comorbilidades é grande e cada vez há mais estudos a comprovar que a obesidade é responsável pelo desenvolvimento ou agravamento de muitas outras doenças”  E também os custos associados a menor produtividade, absentismo laboral e diminuição da qualidade de vida e encurtamento da vida” avança Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade.

Em média, o aumento de 10% do Índice de Massa Corporal (IMC) está associado a uma redução de rendimento em 3,3% dos homens e 1,9% das mulheres, o que demonstra que a obesidade é também uma doença que afeta mais as classes mais desfavorecidas.

“Por isso vamos discutir o impacto entre os especialistas nacionais e internacionais, para a SPEO poder avançar com um estudo que avalie o impacto económico da obesidade em Portugal, que será o primeiro no nosso país.” acrescenta Paula Freitas.

No Congresso será ainda lançado um livro de Recomendações para Tratamento Não Cirúrgico da Obesidade no adulto, que tem como principal objetivo a criação de normas consensuais a nível nacional para o diagnóstico da doença, tratamento e multidisciplinariedade da equipa no acompanhamento dos doentes. “Os doentes têm que ser diagnosticados tendo em conta as suas particularidades e características individuais e as origens da doença. As causas da obesidade são diferentes nas pessoas e é uma informação muito importante para se ter em conta e encontrar o tratamento e acompanhamento mais eficaz”.

Esta iniciativa faz parte do esforço da SPEO para que todos os profissionais de saúde tenham acesso a formação especializada em tratamentos eficazes, para que adotem um discurso não estigmatizante e para que todos os indivíduos com sobrepeso tenham acessibilidade plena ao tratamento integral da obesidade. Já se tem feito bastante para melhorar o acesso às cirurgias bariátricas, indicadas na obesidade mórbida, mas é preciso tratar todos os níveis de obesidade, não apenas a obesidade mórbida. Para que isto aconteça, é urgente que terapêutica farmacológica seja comparticipada e passe a ser uma opção para todos, sem descriminação de pessoas com mais ou menos rendimentos económicos.

Sobre a Obesidade:

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, há 1,4 milhões de pessoas obesas em Portugal o que faz de Portugal um dos países com maior taxa de obesidade na União Europeia. A Obesidade é considerada pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia global do século XXI.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade alcançou as proporções de pandemia, com mais de 1,9 biliões de adultos (acima dos 18 anos) com excesso de peso (IMC> 25 kg/m2). Deste grupo, mais de 600 milhões de pessoas são obesas (IMC> 30 kg/m2).

A obesidade é uma doença que requer uma gestão a longo prazo. As comorbilidades relacionadas com a obesidade incluem a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), alguns tipos de cancro, infertilidade, doenças articulares e ósseas, doenças psicológicas, entre outras. É uma doença complexa e multifatorial que é influenciada por fatores, fisiológicos, genéticos, endócrinos, psicológicos, ambientais e socioeconómicos.

Sobre a SPEO:

Fundada em 1989, a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), tem como objetivo principal promover a investigação e a divulgação de conhecimento relacionado com a obesidade e os aspetos relacionados, dentro de uma comunidade cientifica muito alargada que inclui investigadores, médicos de várias especialidades, nutricionistas, psicólogos e fisiologistas do exercício físico, entre outros e também outras áreas com relevância para a sociedade civil.

A SPEO assegura também a representação nacional das sociedades científicas e organizações internacionais dedicadas à obesidade, como a International Society for the Study of Obesity e a European Association for the Study of Obesity. Para mais informação consulte http://www.speo-obesidade.pt/CDA/HPhomepage.aspx

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