FMI valida sistema financeiro português, mas Capitalizar alerta para maior exigência no crédito às PME
Lisboa, 17 julho de 2026 — A consultora fiscal e financeira Capitalizar considerou, hoje, que a avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao sistema financeiro português confirma a sua “estabilidade e resiliência”, mas alertou para um aumento do escrutínio no acesso ao crédito, sobretudo para pequenas e médias empresas (PME).
Em causa está o relatório do programa de avaliação do setor financeiro (FSAP), divulgado pelo Banco de Portugal, que constitui o mais exigente exercício internacional de análise ao sistema financeiro nacional.
Segundo o FMI, os bancos portugueses demonstraram capacidade para resistir a choques recentes, como a pandemia, a subida das taxas de juro e a instabilidade geopolítica, apresentando níveis adequados de capitalização, liquidez e rendibilidade.
Para a Capitalizar, esta conclusão “reforça a confiança no sistema bancário e na sua capacidade para continuar a financiar a economia”, afastando riscos imediatos de restrições generalizadas ao crédito.
Ainda assim, a consultora sublinha que o relatório identifica vulnerabilidades relevantes, nomeadamente a exposição dos bancos ao mercado imobiliário residencial e à dívida soberana, fatores que “podem traduzir-se em ajustamentos nas políticas de crédito em cenários adversos”.
O FMI recomenda o reforço da monitorização de riscos sistémicos e do enquadramento macroprudencial, o que, segundo a Capitalizar, deverá resultar em “critérios de concessão de crédito mais exigentes, particularmente em setores considerados de maior risco”.
Na prática, na visão da consultora, as PME poderão enfrentar processos de análise mais rigorosos, sendo “determinante a qualidade da informação financeira e a solidez dos projetos apresentados”.
A consultora alerta também que empresas que utilizam ativos imobiliários como garantia devem acompanhar a evolução das avaliações e das políticas bancárias neste domínio.
Segundo José Pedro Pais, partner da Capitalizar: “Num contexto internacional marcado por incerteza, recomendamos às empresas que reforcem a sua liquidez, diversifiquem fontes de financiamento e adotem uma gestão financeira prudente. A avaliação do FMI é positiva, mas não elimina riscos.” E adverte: “As empresas que melhor responderem serão as que anteciparem mudanças e reforçarem a sua capacidade financeira”.
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