Preocupação dos motoristas da UNIR encontra eco nas queixas dos passageiros
Os motoristas da Auto-Viação Feirense, que integram a rede de transportes públicos Unir, anunciaram uma greve para os dias 26 e 29 de setembro, em protesto contra os horários que classificam como “impossíveis de cumprir com segurança”. A preocupação dos trabalhadores encontra eco nas reclamações dos passageiros registadas no Portal da Queixa, onde há inúmeros casos a denunciar o incumprimento de horários e, também, a falta de segurança.
São cerca de cem os motoristas da empresa Auto-Viação Feirenese, de Santa Maria da Feira, que fazem os percursos entre Vila Nova de Gaia e Espinho integrados na rede de transportes públicos da Área Metropolitana do Porto, a Unir, que opera em 17 concelhos. Os trabalhadores da Feirense vão avançar para greve, nos dias 26 e 29 de setembro, defendendo que é urgente proceder a correções - nos horários do lote 4 - antes que “aconteça uma desgraça”. Segundo alegam, a Unir quer que alguns dos trajetos durem 30 minutos, mas os motoristas não conseguem fazê-los em menos de 40.
Os dados do Portal da Queixa evidenciam que a insatisfação dos utentes vai ao encontro das reivindicações dos trabalhadores, confirmando que os atuais horários, não só, comprometem a qualidade do serviço prestado, como também colocam em causa a segurança dos passageiros.
Entre 1 de janeiro e 21 de setembro de 2025, foram registadas 215 reclamações dirigidas à rede UNIR, mostram os dados analisados.
Quanto aos motivos, sobressai a falta de pontualidade e incumprimento de horários, responsável por 79% das queixas, precisamente o problema destacado pelos trabalhadores em greve. Em segundo lugar, surge a falta de segurança dos passageiros (15,71%), seguida da má qualidade do serviço (2,38%), da falta de acessibilidade (1,43%), da cobrança indevida (0,95%) e das falhas de comunicação e informação (0,48%).
Entre os relatos partilhados pelos utentes no Portal da Queixa destacam-se denúncias de atrasos recorrentes, horários não cumpridos, situações de insegurança nas viagens e falhas no atendimento. Uma das reclamações registadas relata que “as condições de segurança são preocupantes, com condutores pressionados a cumprir trajetos impossíveis”.
Unir tem Índice de Satisfação é Insatisfatório
Relativamente à resposta da Unir perante as reclamações que lhe são dirigidas, os indicadores revelam uma performance de nível “Insatisfatório”. No Portal da Queixa, a página da entidade apresenta um Tempo Médio de Resposta de 1% e uma Taxa de Solução de 5,4%. O Índice de Satisfação da Unir está pontuado pelos consumidores em apenas 13.7 (em 100).
Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, sublinha: “Os dados que analisámos demonstram que a principal preocupação dos cidadãos coincide com a motivação da greve anunciada pelos trabalhadores: os horários. A elevada percentagem de reclamações por incumprimento de horários é um sinal claro de que o problema tem impacto direto no quotidiano dos passageiros e coloca em causa a segurança e a qualidade do serviço. Esta greve deve ser vista como um alerta urgente para a necessidade de rever os atuais modelos de operação da rede Unir, garantindo a proteção dos utentes e dos profissionais.”
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