Reclamações contra Metro de Lisboa e Metro do Porto aceleram. Queixas duplicaram em 2026.
Lisboa, 2 de junho de 2026 — Os dados do Portal da Queixa revelam um aumento expressivo do descontentamento dos consumidores com os serviços prestados pelo Metro de Lisboa e pelo Metro do Porto. As reclamações mais do que duplicaram este ano. Num contexto já marcado por elevados níveis de insatisfação, os dois operadores enfrentam, esta semana, novas perturbações no serviço devido à greve geral.
No Metro de Lisboa, após um crescimento residual de 1,83% em 2025 (111 reclamações), o número de queixas disparou em 2026. Entre janeiro e o início de junho, já foram registadas 63 reclamações, o que representa um aumento de 125% face ao mesmo período do ano anterior.
No Metro do Porto, a tendência é igualmente acentuada. Depois de um aumento de 5% em 2025 (84 reclamações), o volume de reclamações mais do que duplicou em 2026, com 46 ocorrências registadas até ao início de junho, face a 21 no período homólogo (+119,05%).
Os testemunhos dos consumidores evidenciam impactos significativos no quotidiano, desde dificuldades de mobilidade e atrasos prolongados até custos adicionais com alternativas de transporte e degradação das condições de conforto e segurança.
Falhas estruturais e operacionais lideram insatisfação
No Metro de Lisboa, os principais problemas reportados em 2026 centram-se na acessibilidade e infraestrutura (41,27%), com destaque para elevadores e escadas rolantes inoperacionais, seguidos de questões de segurança (30,16%) e falhas na pontualidade (20,63%).
Já no Metro do Porto, as reclamações incidem sobretudo sobre a pontualidade e horários (36,96%), incluindo atrasos frequentes e intervalos superiores ao previsto, bem como sobre a qualidade do serviço (21,74%) e questões relacionadas com pagamentos e bilhética (19,57%).
Operadores registam baixos níveis de satisfação
Segundo indicam os dados analisados, o Metro de Lisboa apresenta uma deterioração nos níveis de satisfação e perceção da marca em 2026, apesar de melhorias na eficiência do tempo de resposta (+14,75%). O índice de satisfação do operador é de 32 em 100.
Por outro lado, o Metro do Porto regista uma evolução positiva na perceção da marca e na resposta ao cliente, ainda que mantenha níveis globais de desempenho reduzidos, nomeadamente na taxa de resolução e índice de satisfação pontuado em 28,3%.
Greve geral agrava contexto de pressão sobre os serviços
Num contexto já marcado por elevados níveis de insatisfação, os dois operadores enfrentam esta semana novas perturbações no serviço devido à greve geral.
O Metro de Lisboa inicia a paralisação já esta terça-feira, 2 de junho, a partir das 23h00, não estando prevista circulação durante todo o dia 3 de junho. A normalização do serviço deverá ocorrer apenas às 06h30 do dia 4.
Também o Metro do Porto terá a operação condicionada, com encerramento antecipado na noite de 2 de junho, sendo as últimas partidas realizadas entre as 22h00 e as 23h00. A retoma do funcionamento regular está igualmente prevista para o dia 4 de junho.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust: “O aumento acentuado das reclamações em 2026 confirma que os problemas no serviço - de ambos os operadores - persistem e continuam sem resposta eficaz. Atrasos, falhas de acessibilidade e degradação da qualidade são situações recorrentes que os consumidores já não toleram, sobretudo num serviço essencial para o seu dia a dia.
Num contexto de elevada dependência destes meios de transporte, torna-se fundamental que os operadores implementem medidas eficazes e estruturais que respondam às principais preocupações identificadas pelos utilizadores.”, advoga.
Tags: