SETOR PRIVADO PODE SALVAR O ESTADO? MAIS DE METADE DOS EMPRESÁRIOS ACREDITAM QUE SIM

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  • 86% dos membros do Barómetro reconhecem que a Justiça é uma das principais áreas da Administração Pública em Portugal que requer maior intervenção e reestruturação;
  • Após a nomeação de Elon Musk para liderar um departamento de eficiência governamental nos Estados Unidos, mais de metade dos empresários inquiridos afirmam que gestores vindos do setor privado poderiam melhorar a gestão do Estado;
  • 70% dos gestores afirmam ter cumprido, ou mesmo ultrapassado, os objetivos estabelecidos para 2024;
  • O Barómetro KAIZEN™ inquiriu mais de 250 gestores, de médias e grandes empresas, que atuam no mercado português e que, no seu conjunto, representam mais de 35% do PIB nacional.
     

Lisboa, 31 de março - O ambiente económico global está a ser marcado por uma desaceleração generalizada, resultante de incertezas políticas e económicas. As empresas portuguesas têm enfrentado desafios como a escassez de mão de obra qualificada e exigências crescentes por práticas sustentáveis.

Ainda assim, apesar deste contexto instável, a confiança dos gestores na economia nacional permanece inalterada, com uma pontuação de 12,7, ligeiramente superior ao valor de 12,6 registado na última edição do Barómetro Económico realizado em novembro de 2024.
 

Do panorama político nacional à economia global: os desafios que moldam o futuro das empresas

A queda do governo português gerou um clima de incerteza, impactando diretamente o cenário político e económico. Esta mudança tem causado apreensão entre os líderes empresariais, sobretudo quanto aos efeitos na estabilidade do país a curto e médio prazo. Ainda assim, 59% dos gestores inquiridos acreditam numa estabilização a curto prazo. Para estes líderes, o impacto político será temporário e não comprometerá os avanços estruturais já alcançados. Não obstante, a perceção sobre as consequências da queda do governo não é unânime: 33% dos inquiridos consideram que o cenário político aumentará a incerteza e as dificuldades económicas, enquanto 5% acreditam que a economia já se encontrava fragilizada antes da instabilidade política, vendo este fator apenas como mais um elemento no atual contexto já desafiante. Por outro lado, uma minoria dos inquiridos (3%) encara esta conjuntura como uma potencial oportunidade para redefinir o rumo político e económico do país.

Mais do que resistir à incerteza, a economia portuguesa tem demonstrado uma notável capacidade de adaptação. Mesmo num cenário de imprevisibilidade, as empresas têm ajustado estratégias e procurado soluções para manter a sua competitividade. Prova disso é que 70% dos gestores afirmam ter cumprido, ou até superado, os objetivos traçados para 2024, evidenciando a resiliência do tecido empresarial.

Outro tema de relevância nacional em destaque foi a identificação das principais áreas da Administração Pública que requerem maior intervenção e reestruturação, para melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados. A Justiça surgiu como a área prioritária, apontada por 86% dos inquiridos, seguida da Saúde, com 79% dos votos.

Além de identificar as áreas mais críticas da Administração Pública, analisou-se, também, de que forma a sua gestão poderia ser otimizada. Questionou-se, então, os empresários portugueses sobre o impacto que os gestores do setor privado poderiam ter na melhoria da gestão do Estado. A reflexão surge em resposta à nomeação de Elon Musk para liderar um departamento de eficiência governamental nos EUA, destacando a busca por maior otimização na Administração Pública. Neste contexto, 38% dos empresários reconhecem a importância de trazer para o setor público práticas de eficiência e inovação focadas em resultados, acreditando que a experiência do setor privado pode impulsionar a otimização de processos e o desenvolvimento de soluções mais ágeis e eficazes, sem descurar a necessidade de um profundo conhecimento do funcionamento da Administração Pública. 25% dos gestores também corrobora com esta tese, afirmando que a experiência do setor privado pode trazer maior rigor e eficiência para a gestão pública.

A nível internacional, a economia da Alemanha, um dos principais motores da economia europeia, enfrenta um período de desaceleração prolongada. O Bundesbank prevê que esta tendência se estenda até 2026, gerando incerteza para muitas empresas, especialmente aquelas ligadas ao comércio e às cadeias de abastecimento da União Europeia. Perante este cenário, 40% dos gestores portugueses não implementaram medidas concretas para mitigar potenciais impactos, considerando que a economia alemã não afeta significativamente o seu negócio. Outros 40% também não adotaram estratégias específicas, mas mantêm-se atentos à evolução da conjuntura alemã, reconhecendo a sua relevância no panorama europeu. Por outro lado, 20% dos inquiridos já tomaram medidas preventivas: 10% estão a diversificar mercados para reduzir a dependência da Alemanha, enquanto outros 10% optaram por adaptar os seus produtos e serviços ao novo contexto económico, procurando minimizar riscos e garantir maior resiliência empresarial.

No que diz respeito às relações comerciais internacionais, outro fator de preocupação para as empresas portuguesas são as possíveis tarifas que os Estados Unidos possam vir a impor sobre produtos da União Europeia. Embora tais tarifas ainda não tenham sido implementadas, 38% dos inquiridos consideram que o impacto potencial seria moderado, pois acreditam que existem alternativas para contornar os desafios, como a diversificação de mercados ou ajustes nas cadeias de abastecimento. Já 31% dos empresários avaliam que o impacto seria elevado, uma vez que algumas empresas seriam bastante prejudicadas, ainda que o efeito global pudesse ser moderado. Para 15% dos inquiridos, o impacto seria muito elevado, podendo afetar substancialmente setores estratégicos da economia. 16% dos gestores acreditam que o impacto seria reduzido ou nulo, com pouca influência sobre a maioria das indústrias.
 

A transformação, o crescimento empresarial e o desenvolvimento de uma cultura de excelência como principais eixos estratégicos para o futuro

No horizonte estratégico para 2025, 32% dos inquiridos destacam o crescimento como a principal prioridade. Este dado reflete uma clara orientação para a expansão das operações, o aumento da competitividade e a exploração de novos mercados, mesmo perante os desafios impostos por um contexto económico de instabilidade. As empresas estão focadas em fortalecer a sua posição no mercado, investindo em inovação e no desenvolvimento de novos produtos ou serviços que permitam consolidar a sua presença e garantir um crescimento robusto a médio e longo prazo.

Por outro lado, para que este crescimento seja verdadeiramente sustentável, é imprescindível uma cultura organizacional de excelência, tendo esta variável sido mencionada como determinante para 27% dos membros. Para criar uma cultura coesa de melhoria contínua é fundamental existir o compromisso da gestão, envolver todos os colaboradores, capacitando-os e incentivando a sua participação ativa, implementar processos que sustentem a melhoria e, também, integrar a estratégia organizacional com os objetivos de melhoria contínua. As empresas, ao adotarem estes princípios e práticas, estarão no caminho certo para alcançarem um crescimento sustentado, mantendo-se competitivas num mercado dinâmico e desafiante.
 

Eficiência Operacional, Tecnologia e Aumento da Produtividade: os motores do crescimento

Para cumprir a premissa de crescimento, a eficiência operacional e a otimização de processos emergem como prioritárias para 74% dos empresários. Esta ênfase reflete a necessidade crescente de maximizar a produtividade, minimizar desperdícios e garantir operações mais eficazes e competitivas. A melhoria da eficiência interna é fundamental para sustentar o crescimento e a competitividade a longo prazo.

Paralelamente, a transformação digital tornou-se um pilar estratégico para as organizações. Prova disso é que 45% dos membros do Barómetro destacam o investimento em novas tecnologias e automação de processos como uma prioridade. Os resultados refletem uma forte aposta das empresas em soluções de IA para otimizar operações e acelerar a tomada de decisão, impulsionando a eficiência e garantindo escolhas estratégicas mais informadas.

Além disso, o aumento da produtividade (38%) destaca-se como um pilar essencial para o crescimento. Para atingir este objetivo, as empresas devem apostar numa abordagem integrada, que alia a melhoria contínua dos processos, a maximização da eficiência e a elevação da qualidade. Esta estratégia não só reforça a competitividade, como assegura a sustentabilidade a longo prazo, equilibrando inovação, fatores humanos e culturais, e mobilizando toda a organização.

Da mesma forma, a Automação Inteligente, que combina inteligência artificial (AI) com a automação de processos robóticos (RPA), e a Análise Preditiva são identificadas como as soluções tecnológicas mais relevantes para o futuro, com 64% e 56% dos gestores a destacá-las, respetivamente. Ao antecipar tendências e ao automatizar tarefas repetitivas, estas tecnologias promovem, também, uma maior agilidade e capacidade de adaptação, permitindo uma resposta mais eficiente e estratégica.

Em linha com as tendências atuais de transformação e inovação, a sustentabilidade empresarial e o compromisso com o ESG (Environmental, Social, and Governance) ganham cada vez mais relevância. De acordo com os empresários, 63% acreditam que as práticas de sustentabilidade contribuem para obter mais rentabilidade, 36% destacam o seu papel no estímulo à inovação e 35% valorizam a medição de indicadores, o que permite uma gestão mais informada e eficiente. Quando implementadas de forma eficaz, as práticas ESG reduzem custos, impulsionam a inovação e aumentam a competitividade, tornando-se um verdadeiro diferencial no mercado.

Por fim, no âmbito de uma gestão mais eficiente dos recursos humanos, cresce a necessidade, assinalada por 38% dos empresários, de melhorar as condições laborais e os incentivos para atrair e reter talento, tanto nacional como internacional. Esta medida visa colmatar a escassez de mão de obra em Portugal, uma vez que 47% dos inquiridos afirmam contratar regularmente imigrantes para suprir essa necessidade.

"Os resultados deste Barómetro demonstram que, num contexto de incerteza económica e instabilidade política, as empresas portuguesas continuam a demonstrar uma notável capacidade de adaptação. A chave para a competitividade reside na conjugação de três fatores essenciais: eficiência operacional, inovação tecnológica e uma cultura de melhoria contínua. Mais do que reagir às mudanças, é fundamental antecipá-las e transformar desafios em oportunidades de crescimento sustentável.", afirma António Costa, CEO do Kaizen Institute.

O Barómetro Kaizen é um estudo de opinião desenvolvido semestralmente pelo Kaizen Institute, em Portugal, junto de administradores e gestores de médias e grandes empresas, que atuam no mercado português, sobre a sua perspetiva quanto a temas de atualidade, à evolução da economia e do seu negócio, perspetivando tendências e desafios.

A edição de março do Barómetro KAIZEN™ inquiriu mais de 250 gestores de empresas que representam, no seu conjunto, mais de 35% do PIB de Portugal.

 

SOBRE O KAIZEN INSTITUTE

O Kaizen Institute Consulting Group é uma empresa multinacional que fornece serviços de consultoria e formação ao tecido empresarial e instituições públicas em mais de 35 países. A empresa atua em diferentes setores de atividade, suportando as organizações e desafiando os líderes a melhorarem a sua rentabilidade e a fazerem crescer o seu volume de negócios. Fundado em 1985, na Suíça, está em Portugal, com escritórios no Porto e em Lisboa, desde 1999

Contacto

Inês de Sá
Kaizen Institute Western Europe
+351 935 047 729
isa@kaizen.com

 

 

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