Conflitos éticos passam quase ao lado da campanha eleitoral, Saúde e Economia estão no topo da conversa
Estudo LLYC – Eleições Legislativas 2025: Análise da Conversação Online
- A análise da conversação social nos dois meses que antecederam as eleições do próximo domingo mostra que Economia e Impostos continua a ser o tema que mais mobiliza os portugueses, com a Saúde a subir para o segundo lugar.
- A conversação sobre corrupção e conflitos éticos ficou em 11.º lugar, quando há um ano foi o quarto tema mais discutido.
- O contexto internacional impôs-se de forma visível, com Defesa e EUA a subirem ao top 5 de temas mais discutidos, quando em 2024 foram praticamente inexistentes.
- Debates entre Pedro Nuno Santos e André Ventura e o líder do PS e Luís Montenegro geraram o maior volume de conversação social.
Lisboa
14 de maio de 2025
A LLYC, consultora global de Assuntos Corporativos e Marketing, analisou a conversação social em Portugal durante os dois meses que antecedem as eleições antecipadas do próximo domingo e concluiu que os temas relacionados com corrupção e conflitos éticos ficaram fora dos 10 assuntos que mais mobilizaram os portugueses. O estudo da LLYC, que incidiu sobre a conversação social no X (ex-Twitter) e os meios de comunicação social online, mostra que Economia e Impostos é o tema que mais preocupa os portugueses, logo seguido pela Saúde.
Este estudo, que analisou a comunicação online de 4 grupos sociais - líderes e partidos políticos, sociedade civil, jornalistas e principais key opinion makers - identificou que, em mais de 184 mil tweets e notícias publicadas online por mais de 19 mil perfis diferentes, o tema da Economia e Impostos ocupou 23,8% do total da conversação, destacando-se como picos de conversa os reembolsos do IRS inferiores ao esperado, as mexidas no IRC. Este também tinha sido o tema mais relevante na análise realizada no contexto das eleições legislativas de 2024.
A Saúde subiu um degrau face a 2024 e é agora o segundo tema mais discutido pelos portugueses nas conversas nas redes sociais. Temas como o encerramento das urgências dos hospitais do SNS, a falta de profissionais de saúde, o regresso das Parcerias Público-Privadas nesta área ou a saúde obstétrica recolheram 11,7% das menções feitas neste período.
Os debates entre os candidatos não tiveram desta vez o efeito catalisador da conversação online que se observou na última campanha eleitoral, período em que a LLYC conduziu uma análise similar no tempo e na metodologia. O tema dos Debates e Eventos Políticos foi o terceiro assunto mais relevante nos dois meses que antecederam as eleições, ocupando 10,8% de toda a conversação. Desta vez, a conversação esteve mais dispersa nos temas e manteve-se estável ao longo dos últimos dois meses, embora os principais picos de conversa tenham surgido durante os debates - em particular nos debates entre Pedro Nuno Santos e André Ventura, entre o líder do PS e Luís Montenegro e durante o debate televisivo com os oito partidos com assento parlamentar.
Assistiu-se também a uma reconfiguração das prioridades no debate público face aos dois meses que antecederam as eleições anteriores. Temas como Justiça, Defesa Nacional e Migração assumem um peso significativamente maior, passando de questões marginais a tópicos com forte presença na conversa social.
Por outro lado, a Habitação, que também tem sido um dos principais temas da campanha e motivado trocas de acusações entre os líderes dos principais partidos, ocupa apenas o nono posto entre os temas que têm gerado maior volume de conversação online.
Tendo em conta as circunstâncias que ditaram a queda do atual Governo, o tema corrupção e conflitos de ética, que no ano passado foi o quarto mais discutido (igualmente tendo em conta a forma como António Costa apresentou a demissão do cargo de primeiro-ministro, na sequência da Operação Influencer), com 8,2% das menções, desta vez surge apenas em 11.º lugar, com menos de metade das menções (4%). O que mostra que o tema perdeu centralidade nas preocupações dos portugueses e, consequentemente, nas suas manifestações públicas de opinião.
Por outro lado, o tema Justiça, que no ano passado não fez parte dos mais discutidos, surge agora em sétimo lugar, muito graças a temas relacionados com o sistema prisional e crimes que tiveram ampla difusão mediática.
Este estudo, que abarca um total de 18 territórios de interesse e foi construído através da análise de tweets e notícias online sobre os temas-chave das eleições legislativas, entre os dias 14 de março e 9 de maio de 2025. Os dados foram obtidos com recurso à ferramenta da Brandwatch, líder mundial em Digital Consumer Intelligence, que detém o maior arquivo de sempre de conversação: mais de 1,3 mil milhões de posts disponíveis.
A análise foi conduzida pela LLYC, através de uma equipa multidisciplinar de consultores de assuntos públicos, data scientists e especialistas em comunicação digital. Para isso, foram utilizadas plataformas como a Brandwatch e a Welov, bem como tecnologias de Inteligência Artificial (IA), Processamento de Linguagem Natural (NLP) e Análise de Redes Sociais (SNA), com o objetivo de estruturar, interpretar e visualizar grandes volumes de dados não estruturados, como as conversas nas redes sociais.
DIREITA COM MAIS INTERAÇÕES NAS REDES, MAS SEM VENTURA ESQUERDA LIDERA
O estudo da LLYC sobre as Eleições Legislativas 2025 inclui também uma análise à presença e alcance dos partidos com assento parlamentar e dos seus líderes nas diferentes redes sociais e plataformas como X, Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok e Threads.
Os partidos de direita voltam a destacar-se nas interações, que são muito superiores às dos partidos da esquerda. Em média, a direita regista 1.210 interações face a 403 da esquerda. Mesmo sem contar com o Chega, as interações nas redes sociais dos partidos de direita superam as da esquerda, com 523. Olhando aos candidatos, verifica-se o mesmo padrão: a média de interações dos líderes partidários à direita ronda as 2.814, acima das 876 dos líderes da esquerda. Mas aqui, se descontarmos o “efeito André Ventura”, as interações da direita caem a pique para 783, ficando abaixo das dos líderes do bloco político “rival”.
É também à direita que se verifica um maior aumento de audiência digital face ao período que antecedeu as eleições de 2024. À esquerda, Mariana Mortágua (TikTok) e Rui Tavares (Instagram) também registaram boas performances.
O X, Instagram e Facebook são redes sociais utilizadas por todos os partidos, à semelhança do TikTok, onde apenas a CDU não está presente.
Para Maria Eça, Diretora de Assuntos Públicos da LLYC, "no período pré-eleitoral que atravessamos e pelas circunstâncias em que aqui chegámos, quisemos perceber se as preocupações dos portugueses relativamente aos grandes temas em debate e às políticas públicas estão alinhadas com as dos políticos. Pelo segundo ano consecutivo, por força de mais uma crise política, voltamos a utilizar ferramentas digitais e de análises de dados que nos permitem concluir o que está realmente a alimentar a conversa dos portugueses em redes sociais como o X. Uma vez mais, encontramos várias surpresas”.
João Dias, Deep Learning Consultant e Data Scientist na LLYC, sublinha que “a utilização de ferramentas como as que foram utilizadas neste estudo são fundamentais para auscultar quais as reais necessidades e preocupações de quem se manifesta nas redes e permitir adaptar as narrativas. Tomar decisões informadas e com base em dados reais e verificados é cada vez mais uma exigência para os líderes, não só políticos mas também empresariais. Esta metodologia é adaptável a qualquer período, tema e comunidades a envolver”.
O Relatório está disponível neste link: https://shorturl.at/HgCN1 ou via WeTransfer: https://we.tl/t-JGth6GKqnd
Sobre a LLYC
A LLYC (BME:LLYC) é a empresa global de Marketing e Corporate Affairs, que como parceira dos seus clientes em criatividade, influência e inovação, faz crescer e protege o valor dos seus negócios, convertendo cada dia numa oportunidade para revigorar as suas marcas.
A LLYC, fundada em 1995, está presente na Argentina, Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro), Bruxelas, Colômbia, Chile, Equador, Espanha (Madrid, Barcelona e Valência), Estados Unidos (Miami, Nova Iorque, Washington, DC, Grand Rapids, Detroit, St.Louis e Phoenix), México, Panamá, Peru, Portugal e República Dominicana.
A LLYC está entre as 40 maiores empresas do mundo no seu setor, de acordo com os rankings da PRWeek e da PRovoke. Foi eleita Melhor Consultora na Europa 2022 nos PRWeek Global Awards e Consultora do Ano na América Latina 2023 pela PRovoke.
No âmbito bolsista, a LLYC está cotada na BME Growth, onde em 2024 foi uma das poucas empresas que distribuiu dividendos, reforçando o seu compromisso com a criação de valor para os seus acionistas.
Tags: