Vieses da IA em saúde: os doentes, os mais desfavorecidos
- Os modelos de IA oferecem informações mais limitadas e menos rigorosas do que os profissionais de saúde
- Espanha, Alemanha e França recebem informações mais completas do que os países de Leste da Europa
- Gemini, líder indiscutível em precisão e fiabilidade
- O relatório intitulado IA y Política Pública: Hacia una nueva arquitectura de incidencia (IA e Política Pública: rumo a uma nova arquitetura de incidência), analisou quase 1500 respostas de quatro sistemas de IA
12 de dezembro de 2025
A qualidade e a incidência das informações sobre saúde que a IA oferece variam drasticamente dependendo de quem faz a pergunta, da regulamentação em vigor e em que país é feita a consulta. Os grandes modelos de linguagem (LLM) oferecem uma clara desigualdade ao responder a consultas sobre as regulamentações sanitárias europeias. As respostas que os doentes recebem são mais limitadas e com menos rigor do que as recebidas pelos profissionais do setor. Além disso, se as perguntas forem feitas a partir de países como Espanha, Alemanha ou França, o resultado é mais completo e com maior qualidade das fontes. São algumas das conclusões retiradas do relatório IA y Política Pública: Hacia una nueva arquitectura de incidencia elaborado pela LLYC no âmbito da European Health Summit. Para a sua elaboração foram analisadas 1484 respostas de quatro sistemas de IA (OpenAI, Anthropic, Perplexity e Gemini) sobre quatro normas comunitárias fundamentais.
“A IA tornou-se um interveniente com capacidade para influenciar a opinião pública, a circulação de informação e a perceção de temas fundamentais como a saúde e a regulamentação. As divergências sistemáticas detetadas, especialmente a desigualdade informativa entre profissionais de saúde e doentes, e a disparidade geográfica colocam um desafio crítico de equidade. Deve ser monitorizada por reguladores e intervenientes industriais, uma vez que pode moldar as perceções públicas de forma tendenciosa, criando vantagens informativas para alguns utilizadores”, afirma Carlos Parry, Líder de Healthcare Europa na LLYC.
Desigualdade informativa
O estudo identifica uma desigualdade informativa acentuada de acordo com o perfil de quem consulta os modelos de IA
- Profissionais de saúde: este grupo recebe consistentemente as respostas "mais completas e tecnicamente rigorosas", com maior visibilidade e maior qualidade argumentativa.
- Doentes: enfrentam as "lacunas informativas significativas", menor visibilidade e menor rigor, recebendo informações mais limitadas.
- Meios de comunicação: obtêm as pontuações mais baixas em visibilidade, qualidade argumentativa e utilização de fontes, apesar de registarem as maiores lacunas informativas.
- Administrações Públicas: os modelos mostram uma postura "especialmente favorável" em relação aos intervenientes do setor da saúde institucional.
A análise geográfica revela que os modelos de IA não oferecem respostas homogéneas, mas adaptam o seu conteúdo ao contexto nacional.
- Disparidade: países como a Alemanha, França ou Espanha recebem consistentemente "informações mais completas e com maior qualidade das fontes".
- Menor consenso: países da Europa de Leste como a Polónia e a Hungria obtêm informações mais fragmentadas e com um consenso mais baixo.
O fator tecnológico
O estudo comparou o desempenho de quatro grandes modelos de linguagem (LLM):- Gemini: posiciona-se como o "líder indiscutível" na análise de regulamentações sanitárias europeias, destacando-se pela sua precisão, pela capacidade de minimizar a desinformação e por manter uma qualidade uniforme para diferentes tipos de utilizadores. É também o modelo mais favorável às regulamentações europeias.
- Anthropic: oferece um perfil estratégico, bom para antecipar impactos regulamentares
- Perplexity: mostra o maior risco de desinformação e uma dependência muito acentuada dos meios de comunicação gerais (81,3%) para fundamentar as suas respostas, com uma utilização limitada das fontes oficiais.
- OpenAI: apresenta um perfil mais modesto, embora se destaque por uma utilização notável de fontes oficiais (19,8% UE) e literatura revista pelos pares.
Em suma, o relatório conclui que a interação entre a Inteligência Artificial (IA) e a política pública no setor da saúde confirma a existência de vieses sistemáticos nos grandes modelos de linguagem (LLM).
Sobre a LLYC
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Fundada em 1995, a empresa conta com mais de 1300 profissionais em 28 centros de talento distribuídos pela Europa, Estados Unidos e América Latina. A LLYC é considerada uma das 35 maiores empresas independentes do mundo no seu setor, de acordo com os rankings da PRWeek e da PRovoke.
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