Quem vive sozinho precisa de ganhar mais para arrendar um T0 do que para o comprar

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  • Lisboa é o mercado mais exigente, tanto na compra como no arrendamento
  • Évora é o distrito onde é necessário auferir menos para comprar um T0 (11.440 euros líquidos/ano)

17 de junho de 2026.- O acesso à habitação continua a ser particularmente desafiante para quem vive sozinho. Para comprar a tipologia mais económica, um T0, é necessário auferir, em média, 33.680 euros líquidos por ano em Portugal, segundo uma análise publicada pelo idealista com dados do primeiro trimestre do ano. Com este rendimento líquido, uma pessoa que queira viver sozinha conseguiria suportar uma prestação mensal de 842 euros, suficiente para financiar um T0 médio em Portugal, cujo preço ronda os 225.000 euros. Além da prestação mensal, seria necessário dispor previamente de cerca de 45.000 euros para suportar a entrada inicial e os custos associados à compra.

Por outro lado, se optar pelo arrendamento de um T0, o rendimento necessário sobe para 34.800 euros líquidos anuais, valor que permite suportar uma renda mensal de 870 euros sem ultrapassar a taxa de esforço de 30% recomendada pelos especialistas.

Isto significa que, em média, uma pessoa que queira viver sozinha necessita atualmente de um rendimento superior para arrendar um T0 do que para o comprar em Portugal, evidenciando a forte pressão que continua a existir no mercado de arrendamento.

Distritos e ilhas

Os rendimentos necessários variam significativamente consoante o mercado analisado. No caso da compra, a ilha da Madeira é o território onde uma pessoa sozinha necessita de auferir o rendimento mais elevado: 49.400 euros líquidos anuais, além de dispor da entrada necessária. Seguem-se Lisboa (47.520 euros), Setúbal (34.440 euros), Porto (32.920 euros), Aveiro (31.440 euros), Viana do Castelo (30.840 euros), Faro (30.680 euros) e Coimbra (30.240 euros).

Também Braga (27.400 euros), Leiria (26.720 euros), Bragança (25.440 euros), Santarém (20.960 euros), Viseu (18.720 euros), Beja (16.480 euros), Vila Real (15.720 euros), Guarda (14.480 euros) e Évora (11.440 euros) apresentam exigências distintas para quem pretende comprar um T0.

Évora (11.440 euros) é o distrito onde uma pessoa sozinha necessita de auferir menos para comprar um T0, seguido da Guarda (14.480 euros) e de Vila Real (15.720 euros).

No caso do arrendamento, Lisboa é o território mais exigente, sendo necessário auferir 40.000 euros líquidos anuais para arrendar um T0 sozinho. Seguem-se a ilha da Madeira (36.800 euros), Porto (34.960 euros), Faro (34.000 euros) e Setúbal (34.000 euros).

Com rendimentos necessários acima dos 25.000 euros anuais surgem ainda Évora (29.600 euros), Aveiro (29.200 euros), Braga (28.800 euros), Coimbra (25.200 euros) e Santarém (24.000 euros). No extremo oposto encontram-se Guarda (14.000 euros), Vila Real (16.000 euros) e Viseu (18.280 euros).

Cidades

Entre as cidades analisadas, Funchal é a cidade onde é necessário auferir o rendimento mais elevado para comprar um T0 sozinho: 53.880 euros líquidos anuais. Seguem-se Lisboa (49.400 euros), Porto (34.800 euros), Aveiro (34.440 euros), Faro (32.920 euros), Viana do Castelo (32.000 euros), Setúbal (30.400 euros) e Coimbra (29.800 euros).

Também Braga (28.440 euros), Leiria (25.920 euros), Bragança (25.440 euros) e Viseu (22.440 euros) exigem rendimentos significativos para a compra desta tipologia.

Em várias cidades, como Évora, Guarda, Santarém, Vila Real e Ponta Delgada, o reduzido volume de T0 disponíveis para venda não permitiu realizar cálculos fiáveis.

No arrendamento, Lisboa volta a liderar, exigindo um rendimento líquido anual de 42.000 euros para arrendar um T0 sozinho. Seguem-se Funchal (36.800 euros), Setúbal (35.400 euros), Porto (35.200 euros), Faro (34.000 euros) e Braga (32.000 euros).

No extremo oposto encontram-se Guarda e Vila Real, onde basta auferir 14.000 euros líquidos anuais para arrendar um T0, seguidas de Bragança (20.000 euros) e Viseu (20.000 euros).

Para Ruben Marques, porta-voz do idealista, " quem pretende viver sozinho enfrenta um esforço financeiro muito elevado para aceder à habitação. O facto de ser necessário um rendimento superior para arrendar um T0 do que para o comprar evidencia a pressão que continua a existir sobre a oferta de casas mais pequenas em Portugal."

Metodologia

Para a realização desta análise, a equipa do idealista/data calculou o preço mediano dos estúdios/T0, tanto para venda como para arrendamento, em cada um dos mercados analisados. Com base nesses valores, foram estimados os rendimentos necessários por pessoa para não ultrapassar uma taxa de esforço de 30%. No caso da compra, foram igualmente calculadas as poupanças necessárias para suportar a entrada inicial e os restantes custos associados à aquisição do imóvel. Para o cálculo da prestação do crédito habitação foi utilizada a taxa de juro média publicada pelo BCE e um prazo de amortização de 30 anos. Em alguns mercados, não foi possível calcular os indicadores desta tipologia devido à reduzida oferta disponível, surgindo na tabela como n.d..

Tabelas com os dados:

 

 

 

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