Vítimas da criminalidade: melhorar os sistemas de apoio e de proteção jurídica

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Nova linha de apoio da UE para as vítimas e utilização de ferramentas digitais
 
Estados-Membros devem assegurar recursos humanos e financeiros suficientes para ajudar as vítimas
 
Acesso a cuidados de saúde sexual e reprodutiva para sobreviventes de violência sexual

O Parlamento Europeu aprovou novas regras para reforçar as medidas de apoio e proteção das vítimas da criminalidade, bem como os seus direitos em processo penal.

Com 440 votos a favor, 49 contra e 84 abstenções, os eurodeputados aprovaram quinta-feira uma modernização do quadro jurídico aplicável às vítimas da criminalidade.
As melhorias incluem:
Reforço dos direitos das vítimas durante o processo penal, através de informações e apoio emocional nas instalações dos tribunais, com um novo direito à privacidade e à não divulgação dos dados pessoais da vítima ao autor do crime, apoio judiciário durante o julgamento para as vítimas com meios insuficientes e aceleração do pagamento de indemnizações;
Criação de linhas dedicadas a prestar informações, apoiar e encaminhar as vítimas para os serviços pertinentes, que estarão disponíveis em linha, através de aplicações, e um número de telefone 116 006 para toda a UE;
Introdução da possibilidade de denunciar infrações penais em linha e garantir que as pessoas cuja liberdade está restringida - como cidadãos de países terceiros em instalações de alojamento das quais não estão autorizados a sair livremente ou ainda pessoas com deficiência ou idosos a viverem em contextos de prestação de cuidados institucionais - possam denunciar um crime. A comunicação de informações por terceiros através de organizações da sociedade civil deve também ser facilitada;
  Serviços de apoio às vítimas com necessidades específicas, com base numa avaliação individual por profissionais formados, e apoio específico e acesso aos serviços de saúde para as vítimas de violência sexual, como a contraceção de emergência, o tratamento profilático pós-exposição, a realização de testes para deteção de doenças sexualmente transmissíveis e o acesso a cuidados de aborto;
Assegurar os mais elevados padrões de proteção e apoio às crianças vítimas, adotando uma abordagem adaptada às crianças e adequada à idade, e com vários serviços (por exemplo, exame médico, apoio psicológico, gravação vídeo de depoimentos, assistência administrativa), se possível, nas mesmas instalações.
 

Citações

A correlatora da Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros, Lucia Yar (Renew, Eslováquia), afirmou: «A presente diretiva proporciona progressos reais às vítimas, incluindo as mais vulneráveis, como as vítimas de violência e as crianças. Transformámos um quadro desatualizado em legislação moderna que reforça os direitos das vítimas, melhora a proteção e colmata as principais lacunas no acesso ao apoio. Numa altura em que alguns países da UE estão a enfraquecer as proteções e a alterar as leis de forma a favorecer os autores dos crimes, o Parlamento Europeu apoia firmemente as vítimas. A nossa mensagem é clara: os direitos das vítimas não são uma reflexão tardia, estão no cerne da justiça».

O correlator da Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos, Javier Zarzalejos (PPE, Espanha), declarou: «Todos os anos, cerca de 70 milhões de pessoas em toda a União Europeia são vítimas de crimes. Com esta reforma, estamos a dar um importante passo em frente para garantir que as vítimas em toda a Europa recebam uma proteção mais forte, um melhor apoio e igualdade de direitos, nomeadamente no ambiente digital e nos casos que envolvam vítimas particularmente vulneráveis, como as crianças afetadas por abusos sexuais em linha».

A presidente da Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros, Lina Gálvez (S&D, Espanha), acrescentou: “Congratulamo-nos com este acordo histórico, que também garante o acesso à informação e aos cuidados de saúde sexual e reprodutiva às vítimas de violência sexual, incluindo os cuidados de aborto, em conformidade com a legislação nacional. As mulheres que são vítimas de violação, ao contrário dos homens, correm o risco de engravidar, algo que não acontece com os homens. Seria claramente discriminatório não considerar a possibilidade de as mulheres poderem necessitar de recorrer a esses serviços nestas circunstâncias extremas. Trata-se de um precedente importante».

Próximas etapas
O projeto de diretiva ainda tem de ser formalmente adotado pelo Conselho. Será então publicado no Jornal Oficial antes da sua entrada em vigor. Os Estados-Membros terão dois anos para a aplicar

 

Para saber mais
O relatório aprovado estará disponível aqui (21/05/2026)
Vídeo do debate em sessão plenária (20/05/2026)
Gravação da conferência de imprensa pelos correlatores e pelo presidente da Comissão FEMM (20/05/2026)
Ficha do processo
Nota de síntese do Serviço de Estudos do Parlamento Europeu: Diretiva Direitos das Vítimas revista
Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos
Comissão dos Direitos das Mulheres e da Igualdade dos Géneros
Centro Multimédia do Parlamento Europeu

 

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