Quem Matou o Meu Pai, de Édouard Louis
Quem Matou o Meu Pai. Sem (ponto de) interrogação. Porque o livro que Édouard Louis não fareja nem escava em torno de uma pergunta. O texto do escritor, nascido em 1992 numa das regiões mais pobres de França (Picardia), é, na verdade, uma acusação. Um dedo apontado, sem hesitação, ao Estado francês pelo abandono a que votou o seu pai, após um acidente de trabalho que o deixou incapacitado, na sequência de décadas a destruir o corpo num ofício fisicamente devastador — e forçado, ainda assim, a prolongar a sua vida de miserável assalariado. Gonçalo Frota, Janeiro de 2025(o autor escreve