Urgências hospitalares: queixas dos utentes disparam mais de 90%

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Lisboa, 21 de agosto de 2025 - Os constrangimentos nos serviços de urgência continuam a gerar uma crise crescente no setor da Saúde. Os dados do Portal da Queixa revelam um aumento alarmante das reclamações dos utentes relacionadas com as urgências hospitalares. O número disparou para mais de 90% entre janeiro e agosto deste ano, face a 2024. A Obstetrícia motiva o maior volume de reclamações em cenário de urgência, com 31% dos casos denunciados.

Uma análise do Portal da Queixa indica que, desde o início do ano e até ao dia 17 de agosto, foram registadas quase 3.500 reclamações dirigidas ao setor da saúde, sendo que 1.800 queixas estão relacionadas especificamente com serviços de urgência hospitalar.

Os dados revelam que, no primeiro semestre de 2025, o aumento do número de reclamações é bastante expressivo, com um crescimento de mais de 53% em relação ao mesmo período de 2024, e os meses de maio e junho apresentaram picos de aumento superior a 80%. O maior destaque está relacionado com os serviços de urgência hospitalar, onde se observa um aumento de quase 91%, em comparação com o primeiro semestre do ano anterior. No campo das urgências, os maiores aumentos mensais também foram em maio e junho com percentagens superiores a 131%.

 

Urgências: principais motivos de reclamação

Na origem da insatisfação dos utentes com os serviços de urgência estão motivos que envolvem mau atendimento (36,62% das queixas), falta de comunicação (22,14%), cobranças indevidas (15,80%), segurança e qualidade dos serviços (10,74%) e tempos de espera excessivos e incumprimento de prazos (9,25%). 

Entre as áreas mais referenciadas nos problemas com serviços de urgência, a especialidade de Obstetrícia lidera com 31% das queixas registadas, seguida da Ginecologia (10%) e da Pediatria (8%). 

Segundo aferiu a análise, os hospitais do setor público e privado, especialmente em Lisboa, Porto, Setúbal, Aveiro e Braga são os mais reclamados, refletindo a gravidade da situação em regiões densamente povoadas.

Contudo, é no Serviço Nacional de Saúde (SNS) que se concentra a maior percentagem de queixas em serviços de urgência (24%). As entidades que seguem são: a CUF (17,61%); a Lusíadas Saúde (11,44%); o Hospital da Luz (7,67%) e o Trofa Saúde (4,22%), todas do setor privado. 

Esses dados reforçam a necessidade de ações urgentes para melhorar a qualidade, segurança e eficiência dos serviços de urgência, especialmente em períodos críticos como o verão, quando a procura aumenta ainda mais. 

"Não estamos perante um problema novo, mas perante um problema sistémico. O aumento de quase 91% nas reclamações sobre serviços de urgência só em 2025 confirma aquilo que os utentes denunciam há anos: um sistema desorganizado, indiferente e, em muitos casos, desumano. A cada nova queixa, o padrão repete-se e a resposta destas entidades continua a ser o improviso. Estes dados não podem ser ignorados: estamos perante um problema estrutural que exige ação imediata e coordenação entre entidades e organismos do estado.", afirma Pedro Lourenço, Fundador do Portal da Queixa.

De referir que, este ano, já foram contabilizados 56 partos em ambulância ou fora do domicílio (o mais recente, aconteceu mesmo numa rua, no Carregado), e atualmente, o SNS só possui metade dos médicos obstetras necessários para assegurar todas as urgências que se tornaram rotativas.


Recorde-se que, recentemente, o protesto veio de médicos, enfermeiros e gestores que criticaram a atuação da Direção Executiva do SNS (DE-SNS), considerando ser um “organismo inexistente, que não intervém, que não tem capacidade de comunicação e cujo trabalho não é suficiente para resolver os problemas.⁠” 

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